
TEMPO DE VIVER
Ainda dá tempo de tantas coisas! Viajar para os Estados Unidos, para andar com um copo enorme do Starbucks pelas ruas de Nova York. Tomar coragem de dizer algumas coisas para certas pessoas. Ler todos os livros da Meg Cabot. Acampar. Criar uma teoria psicológica revolucionária. Descobrir o sentido da vida. Escrever um livro, uma série para a TV e um filme. Fazer uma nova graduação. Conhecer o Michael C. Hall e o Jeffrey Dean Morgan. Aprender balé. Ir em uma premiação do Emmy, do Golden Globe ou do Oscar. Aprender matemática. Entender as contas da física. Assistir todas as temporadas de todas as séries que eu sempre quis ver. Aprender a não perder no ludo e a jogar truco. A verdade é que dá tempo de tantas coisas que é mais fácil dizer o que eu já fiz até hoje!
- Pauta do TDB.
SAÚDE!
Dou um cartão vermelho para a gripe suína - ok, ela não pode ser responsabilizada pelos estragos que causou, mas não se pode negar que houveram muitos estragos. Mortes, medo de sair na rua, de ficar em lugares fechados, de pessoas gripadas... A paralização das aulas e o pânico geral. Ninguém sabia direito o tamanho do estrago, só havia especulação. Por isso, gripe suína: você está expulsa, daqui e do mundo inteiro.
- Pauta do TDB.
QUEM SABE EU AINDA SOU UMA GAROTINHA
Quatorze anos. Tinha alguns sonhos na cabeça. Queria ser veterinária. Nunca tinha beijado ninguém. Confiava muito em todo mundo. Gostava de pegar minhas bonecas de vez em quando. Até que, quando menos esperava, tudo mudou. No momento seguinte eu não tinha mais meu quarto, o refúgio sagrado da infância onde eu ria e corria, inventando historias, e nem minha casa, onde eu era capaz de passar dias sem me cansar. Me vi envolvida em brigas de adulto, e, sem perceber, comecei a agir como uma, julgando e gritando sem parar. Conheci o passado dos meus pais e descobri que de herois eles não tinham nada. Não era uma adulta, nem uma criança – era uma infeliz adolescente no meio de uma guerra familiar. Nunca mais peguei minhas bonecas. Não pensei mais em veterinária. Parei de confiar cegamente. Me preocupava com a ausência dos beijos. E por um longo tempo, pensei ser incapaz de sonhar novamente. Mas esta historia tem seu lado feliz. Tempos depois, já acostumada com minha nova identidade de adolescente, descobri que ainda conseguia sonhar alto. E foi essa capacidade que me fez superar todo o resto.
- Pauta da Capricho.
(DES)AMOR
Odeio o que vejo no espelho, e queria ser metade do que sou. Mas não importa o quanto eu emagreça, serei sempre um pouco maior que minhas amigas que tem corpo de modelo. Mas eu penso que tenho que aceitar, porque eu sou assim. Então convivo razoavelmente bem com isto a maior parte do tempo. Odeio aquilo que me faz diferente do que seria o normal - sou melhor sozinha, nunca confio plenamente em ninguém, não faço amizades facilmente, sou altamente insegura, prefiro meu sofá e um bom seriado à sair para qualquer lugar do mundo. Então penso que, apesar de me atrapalhar e me magoar de vez em quando, essas características é que fazem eu ser quem sou. E ser a Cindy não é ruim. Minha relação comigo mesma é, durante todo o tempo, um enorme conflito: certos dias me amo, e nos outros me odeio. Quem sabe algum eu aprenda a me amar - e não só me aceitar - o tempo todo.
- Pauta do TDB.