
PARA UM ANO FELIZ
1. Começo com a resolução principal, a essencial, a que nesse momento faz minha vida girar ao redor dela. Passar no vestibular da UFPR. Ser uma caloura de psicologia, e não precisar voltar para o cursinho. Não que eu não goste daquela aura de preparação - tive um ano para perceber o quão mágica e divertida ela é. No entanto, não consigo me ver assistindo aulas de física, doando meus sábados para revisões (in?)úteis, simulados de quatro horas e tudo o mais. Fato um é que eu fiz o que pude durante 2008 para tudo isso valer a pena, e não quero o trabalho de um ano no lixo sem piedade. Fato dois é que minha cabeça e coração estão preparados para a universidade. Mesmo sabendo que isso tudo pode não significar absolutamente nada, bem, estou apostando minhas fichas que meu nome estará na lista de aprovados.
2. Caso a resolução acima não funcione, que pelo menos eu consiga uma bolsa em uma faculdade bacana. Ou então, que eu consiga trabalhar no cursinho onde estudei. Cada possibilidade me traz uma realização diferente, mas seja o que for que vá acontecer, sei que vai dar tudo certo.
3. Aprender a falar o que penso. Esse foi o maior catalizador de brigas durante 2008, e preferia não precisar usar mais meus argumentos fracos para lutar contra um fato. Sempre fui de engolir raiva, irritação ou mágoa; só que isso vira problema quando desconto na hora errada. Então, se eu aprender a abrir um pouco mais a boca, os surtos serão menos frequentes e todo mundo fica feliz. Acho.
4. Ser mais sincera com o que sinto. Esta meio que complementa a anterior. Também sou mestre em mascarar o que ando sentindo, tanto para o bem, quanto para o mal. É muito melhor quando eu aceito o que estou pensando, e não fico só fingindo várias coisas por aí.
5. Lembrar, antes de querer me jogar na frente de um caminhão, que tudo melhora. Essa é uma resolução auto-explicativa bem útil, e eu realmente deveria me lembrar disso muito mais vezes do que de fato lembro.
- Pauta para o TDB.
Um: por quê, meu Deus, que está dando erro de página? Estou aborrecida com o UOL. Não tem erros no meu HTML. Ou é viadagem do servidor, ou o selinho da Capricho está fazendo alguma coisa do além por aqui. Seja o que for, não estou a fim de descobrir. :/ (edit: agora não está mais com o erro. Algo de estranho está estranho, não?) Dois: OMG, será que eu continuo no TDB? E porque será que parece que toda a minha vida vai ser resolvida em janeiro? Ok, talvez não toda, mas uma parte bem importante dela. Ou duas. Três: Como eu me distraio rápido. Nem lembro mais o que era para falar, perdida em Twitters da vida. Ah sim, minhas fics. Bem, melhor voltar para elas. :D
DOIS MIL E OITO!
Perder o chão não é divertido nem quando se quer perdê-lo. Demora um tempo para aprendermos a andar com nossas próprias pernas, e sair do ambiente familiar para o mundo novo. Posso estar exagerando na metáfora, mas era assim que me sentia no início de 2008 - definitivamente perdida. Estive no mesmo lugar e presa às mesmas pessoas durante sete (longos) anos, e embora quisesse que o colégio terminasse o mais breve possível, quando isso ocorreu, não me localizei mais. Daí descobri o vínculo enorme que tinha com o lugar de pesadelos dos anos anteriores. Na realidade, queria, se pudesse, viver o mesmo terceiro ano mais uma vez: paixões, amizades e um bocado de diversão sem compromisso, aquele tom leve (ou quase) que contaminava tudo em nossa sala de formandos. "Me disseram que era porque eu passei 11 anos da minha vida no mesmo lugar, a mesma rotina, a mesma idéia: acabar com aquilo. E agora que acabou tenho que crescer, ainda que a idéia não seja a mais agradável. Eu acho que tem mais a ver com querer crescer, querer evoluir, querer abraçar o mundo inteiro e não saber como." - 27/01/2008.
Creio que enquanto as mudanças de fato ocorriam, tudo passou muito devagar; vendo em perspectiva, foi rápido. Tudo se arrumou, embora não da maneira que eu esperava. Aprendo daí uma lição sobre mim mesma: muitas vezes, o que espero não é exatamente o correto, nem o que trará maior felicidade, etc. Não quero ficar vivendo na perspectiva do "e se fosse diferente?", mas sim perceber (sem dificuldade) que as conquistas desse ano foram perfeitas exatamente da maneira que se sucederam, sem uma vírgula a mais. Apesar dos pontos de decepção ("(...) mas quanto mais o tempo passa, mais minha cabeça se confunde, mais eu penso, menos coisas eu faço, e dessa maneira - entre ter certeza de algo mas continuar na dúvida cruel de fazer por mim ou esperar - uns bons três dias já se passaram e eu nem vi. - 09/02/2008), ou de uma ligeira falta de esperança ("Isso me lembra que eu morri de rir quando estava a procura de tutoriais para o Photoshop e vi o banner de uma menina 'Valentine's day sucks!'. Como estamos no Brasil e aqui o dia dos namorados é só em junho, ninguém comentou nada sobre estar sozinho (ou não). Mas para mim hoje também conta, e se quer saber, eu deveria ter roubado o banner da menina e ter feito um wallpaper daquilo. Sério mesmo." - 14/02/2008), tudo se encaixava nos bastidores dos meus pensamentos confusos.
Entre Expoente (e seus professores perfeitos, aulas divertidas e mais eficientes emocionalmente do que outras medidas - quantas e quantas vezes fui assistir aula segurando as lágrimas e terminei com um sorriso? Acredite, inúmeras.), jazz (nossa, como fez bem!) e inúmeras conversas com quem se preocupa comigo, descobri um outro aspecto da minha vida que se escondia, esperando o momento certo. Falo daquele que poderia ser assunto de mais mil posts, todos diferentes, abrangendo uma ou outra parte de nossos nove meses e meio juntos (jamais conseguiria abranger satisfatoriamente toda a dinâmica do relacionamento em somente um post. Jamais mesmo!). Porque enquanto passa o tempo, minha percepção sobre ele só melhora - embora eu continue sendo a mesma desajeitada de sempre, e sem comentários sobre isso. :D Enfim, meu namorado (e sabe que eu te amo!), que me deu apoio nos momentos certos, brigou comigo quando eu deveria precisar ouvir, e especialmente está sempre presente em minha vida.
Obviamente, tiveram outros punhados de momentos ruins - bem ruins, a ponto de imaginar que todo o lado bom estava perdido em algum buraco negro. Que bom que não foi nada assim. De muitas lições aprendidas, descobri a principal, ou ao menos a que não me fez perder a cabeça ou algo do gênero: tudo melhora. Tudo mesmo. Pode ser que as coisas não voltem a ser o que eram, mas as sensações ruins sempre melhoram, ao menos em decisões repentinas e absurdas. Fato. E com certa felicidade e saudade antecipada, o ano vai embora para começar um novo, que sem dúvida guarda muitas novidades também - começando pelo dia 12 de janeiro. Ou dia 5, primeiramente. Medo. :D
E obrigada! Mãe, pai, Adri <3, Jani, Lu, Ana. Basicamente quem esteve (mais) presente. Existem várias outras pessoas importantes, óbvio, mas preciso citar esses em especial. :)
FELICIDADE CLANDESTINA (2)
Chego, então, nesse ano. Eu e a BPP viramos grandes amigas (novamente), e foi um bom presságio usar das minhas férias de começo do ano para conhecer novos autores, saindo da minha lista pré-selecionada. No entanto, não foi a BPP que fez o meu senso literário ser o que é hoje. Isto é obra (não exclusiva, mas mais da metade, sem dúvida) de meu (ex?) professor de literatura, Élio Antunes. O cara é genial, admito, mas não é esse o fato. É que, diferentemente de todo o resto do mundo, ou quase, que assistia as aulas dele ignorando informações superficiais e só absorvia o que se referia aos dez livros indicados pela UFPR, eu absorvia cada mísero segundo dos 50 minutos destinados à ele. Todas as aulas, ficava curiosa com um autor, ou uma obra, que revolucionou ou foi desprezada, embora fosse boa. Nessas aulas que descobri a segunda fase do Modernismo e meus autores preferidos (possivelmente a melhor fase literária brasileira, que aliou certos moldes parnasianos com uma linguagem muito fácil e boa de ler), sem ignorar todas as outras fases, que sempre revelaram autores legais (menos o Naturalismo, que é horrível, não importa. Não gosto de histórias onde porcos comem recém-nascidos, muito obrigada.). O grande catalisador das aulas foi a biblioteca do Expoente, que embora seja pequena, é bem abastecida de literatura brasileira e livros que são difíceis de encontrar em outros lugares. Enquanto vestibulandos neuróticos se estapeavam pelas edições dos livros indicados, eu passeava pelas estantes, descobrindo novos rostos. Manuel Bandeira, Lygia Fagundes Telles, Danton Trevisan (curitibano, e mora por aí. Sei que ele não sai muito de casa, mas me pergunto se não vou cruzar alguma hora com ele.), Mário Quintana, e muitos outros. Aproveitei o máximo que pude da pequena biblioteca; e então, assim que as aulas acabaram junto com a segunda fase da UFPR, voltei à BPP, velha amiga. Nem eu sabia a saudade que sentia. Posso sinceramente passar horas e horas avaliando as estantes e as diferentes informações que estão lá. Olha que eu só fico na seção de literatura, na maior parte do tempo; nem fico vagando entre os livros de história, psicologia, biologia, medicina, ciências sociais... Ainda não, ao menos.
Agora, os números. Até agora, somente nesse ano, li 40 livros, sendo que 12 deles foram para a UFPR. Dez de literatura, dois de filosofia (não havia necessidade de ler completamente os outros três, só alguns textos ou capítulos). Alguns autores apareceram em mais de um livro, como Conan Doyle (por sinal, nesse ano completei a coleção do Sherlock Holmes. Li todas as histórias dele, finalmente.), Clarice ou Bandeira. Também tiveram os livros que eu li pela segunda ou terceira vez, que não entraram na contagem, como Harry Potter e as Relíquias da Morte. Ah sim, e digo que até agora foram 40 livros, porque estou oficialmente de férias à uma semana, e nela já li dois livros, e estou na metade do terceiro: "A menina que roubava livros", novo e meu, coisa rara na lista. Por sinal, foi o livro que me inspirou para tudo isso, de certa forma. As palavras tem mais poder do que imaginamos, e eu não tinha compreendido a extensão disso tudo até ler a história da Liesel. Por sinal, recomendo imensamente esse livro (mesmo sem saber o final, ainda). Posso recomentar outras coisas, mas é melhor não continuar, ou eu mesma escreverei um livro aqui. ;)
- Felicidade Clandestina: nome do livro e nome do conto da Clarice Lispector. Conta a história de uma garota e o prazer da leitura. Ou, segundo o Élio, o prazer sexual. Que seja. :D (apesar de fazer sentido, prefiro interpretar a Clarice com inocência, fato!) Por sinal, esse livro foi indicado pela UFPR, e eu fui obrigada a ler, o que tira um pouco do prazer natural que deveria estar inserido nessa leitura, embora não completamente.
- Crônica de uma leitora apaixonada: na verdade, uma paródia do título do livro do Gabriel García Márquez, "Crônica de uma morte anunciada". Não, nunca li o livro. Assim como Machado de Assis, preciso estar em um estado de espírito adequado para ler García Márquez; não pode ser à toa, assim. Por enquanto, meu estado de espírito anda perdido entre a Alemanha nazista, um advogado criminalista carioca e um detetive particular. Algo assim.
FELICIDADE CLANDESTINA (1)
(Ou "Crônica de uma leitora apaixonada", se preferir literatura estrangeira.)
A lembrança da primeira vez que pisei na Biblioteca Pública do Paraná (BPP, a partir de agora) se perdeu dentre muitas outras memórias infantis. Só restou a impressão de que o prédio era grande e bonito, e que era cheio de livros, e cada livro cheio de palavras que eu não entendia tanto assim. Saí de lá orgulhosa, com um gibi gigante da turma da Mônica, em plena época de Natal. Na verdade, eu nem lia tanto assim, mas o orgulho predominou os fatos. Muito tempo depois, comecei a descobrir outros prazeres na BPP, com um pouco mais de calma e um pouco mais de amadurecimento. Monteiro Lobato tomou significado nas minhas mãos (li todos os livros sobre o Sítio, alguns mais de uma vez), e viajei dentro dos manuais de escoteiro da Disney. Por sinal, aqueles manuais me deram as brincadeiras mais bacanas do mundo - estendia um lençol em cima da escrivaninha, da cama e às vezes prendia na janela -, e fazia uma barraca. Levava para dentro do meu "esconderijo" no meio da "floresta" tudo que pudesse ser útil, incluindo o manual, cheio de dicas úteis sobre como acender fogo se não tem fósforos, etc. (Não, jamais fiz uma fogueira no meu quarto, só imaginava que sim.) Podia passar o dia dentro da minha cabana digna de escoteira. Só não passava o dia seguinte porque não podia dormir com o quarto bagunçado, e dava preguiça de montar dois dias seguidos.
Depois de devorar tudo que havia na seção infantil, deveria ter passado para outras partes mais adultas, não? Bem, não funcionou desse jeito. Passei um bom tempo não querendo ficar perto da BPP, ou se ficava perto, não pretendia realmente ler os livros que pegava. Por sinal, esse é um mal que padeço até hoje - só que é diferente agora, porque às vezes eu quero muito ler algo, e quando chego em casa perco a vontade, ou leio as primeiras páginas e não sinto aquela coisa inexplicável, que me aproxima emocionalmente do que leio. No entanto, não passei muito tempo longe das letras; fui me aventurando, tímida, entre Luiz Fernando Veríssimo (minha primeira literatura adulta, por assim dizer. Um dia quero dizer para o gaúcho mais fofo do mundo que ele é meu ídolo e primeiro exemplo no mundo das letras.) e Harry Potter, que, acreditem ou não, só comecei a ler graças à uma crítica feita pela Superinteressante. Assim passei muito tempo, crescendo junto com um bruxo imaginário, e com crônicas cada vez mais maduras (mas sempre muito divertidas). Depois tive meu tempo de vício por séries de livros, como Diário da Princesa, Senhor dos Anéis e seus hobbits, elfos, anões e humanos barbudos (Aragorn que me fez gostar de homens barbudos. Tsc, tsc.), Fronteiras do Universo (pode acreditar, muito antes da Bússola Dourada virar filme e best seller, eu já havia lido a série completa várias vezes), Sherlock Holmes - que, afinal, também é uma série. Muitos e muitos anos se passaram, com leituras inconstantes, e paixão por livros novos.
Assim continuaria, se não fossem dois livros que revolucionariam positivamente meu pensamento sobre livros mais antigos, e me fariam voltar à BPP. Um deles foi "O Iluminado", emprestado da bliblioteca do colégio e posteriormente emprestado à mim por um (ex) amigo. Durante o ano de 2005, o livro passou duas vezes pela minha mão, uma vez lido em dois dias, e na outra, em uma viagem (chata). Curiosamente, no começo desse ano, encontrei a mesma edição do livro na BPP, e pouco tempo depois, como um presságio, também reencontrei o amigo que havia me proporcionado a primeira experiência com a história de Jack Torrance - mas isso é história de outros posts. O outro livro que removeu preconceitos foi o "Antologia Poética" do Pablo Neruda, edição em espanhol, de 1900 e qualquer coisa. Ele foi presente de um amigo querido, e junto com o livro, que em si já é um belo presente, ganhei a história da antiga dona do livro, escrita na primeira página, à lápis. Como se não bastasse as surpresas, ainda encontrei no meio dele uma flor seca muito antiga; e passei dias imaginando o que aquelas páginas presenciaram. Hoje, guardam também uma pétala de rosa, do primeiro (atualmente único) buquê de rosas que ganhei do meu namorado. Algum dia, alguém vai pegar aquele livro, e minha história estará junto àquela que admiro hoje.
(/continua)
VERMELHO
Lá no começo do ano, saí com as minhas amigas do ensino médio, uma das nossas poucas saídas nesse ano agitado. Nem teve nada demais, uma volta no Passeio Público (conhecido como o parque mais decadente de Curitiba, e ainda assim eu o adoro), e uma pausa no shopping Müller (que eu realmente não gosto, por me trazer más recordações tanto da infância como de agora). Bem. Acontece que eu não conseguia ver graça em nada, em nenhuma piada e em nenhuma brincadeira. Mesmo quando eu estou meio irritada, sou ótima atriz na frente dos outros; ou seja, quando eu estou triste na frente de todo mundo, é que estou triste mesmo. Aquele era um dia desses. Minha tristeza tinha sentido, embora também tivesse um toque de drama. Era janeiro, e eu não era capaz de ver perspectiva em nenhum lugar, nada de cursinho, nada de romance, nada. Enquanto isso, as garotas em minha volta festejavam o fato de terem mil planos, mil garotos, mil novas idéias. Até já escrevi sobre aquela fase, lá no início do blog.
Agora, o fato alheio. Uma das amigas que estavam junto, a Luana*, soltou o único comentário que eu sou capaz de lembrar com perfeição daquele dia. Ela disse que 2008 era o ano da cor vermelha. Ok, eu sei que é um comentário bastante bobo para eu ter guardado por tanto tempo. Acontece que quando ela falou aquilo, saí pelo menos por alguns segundos da minha aura de tristeza, para raciocinar sobre o fato. Certo, talvez não raciocinar, porque coloquei essa informação dentre todas as quase inúteis, mas eu fiquei pensando que ninguém nunca tinha falado algo parecido. Para minha surpresa, durante o ano essa informação voltou várias e várias vezes, em momentos bons. Porque, quando eu comecei a namorar (curiosamente, hoje fazem nove meses desde aquele dia), no dia seguinte minha mãe me deu uma blusa vermelha, a primeira (e atualmente única) do meu guarda-roupa. Porque fiz muitos layouts nesse ano, e todos que eram vagamente vermelhos chamaram mais a atenção. Aliás, parece que eu não consigo escapar dessa cor: minha primeira opção é sempre ela, depois que olho o resto das cores. Ah sim, meu sapatinho vermelho, quase Doroty. Muitos esmaltes vermelhos. Muitos momentos em que a cor vermelha esteve ao menos vagamente envolvida - nem estou pensando em sangue, não sou tão perturbada assim. Juro.
Da cor vermelha, passo ao fato que muitas e muitas coisas aconteceram nesse ano. Mesmo nas minhas melhores previsões, eu não imaginaria tudo o que houve. No campo amoroso, estudantil, e muito mais no pessoal. Não digo que parei de encher o saco do mundo em volta, e continuo tendo crises existenciais de sempre (Freud explica!), mas acho que fiquei, durante muito tempo, singularmente feliz. Feliz porque eu tinha aula com o Borges, feliz por ter lido um livro ótimo que o Élio indicou, feliz porque o céu estava bonito, ou porque eu tinha feito um exercício de física do ITA (nunca me esqueci desse dia, foi um milagre! :D), feliz por me sentir incrivelmente tranquila do lado do Adriano, feliz por uma pauta boa que chegou. Feliz comigo e muitas vezes por causa de outros que nem sabiam o bem que me faziam. Colocando tudo na balança, foi um ano extremamente positivo, assim como acho que 2007 também foi, embora a Cindy do IEP seja bem diferente da que hoje escreve aqui. Possivelmente o fato de eu saber olhar assim, sem achar tudo uma droga, também seja obra da - não diria maturidade, porque já usei essa palavra tantas vezes por besteira -, mas... de tudo que aprendi. Fato.
(meus pensamentos estão meio agitados, mas acho que consegui me expressar direito. Quero colocar tudo em ordem dentro do cérebro para escrever o especial de final de ano. E nossa, que vício por Rubem Fonseca. Estranho que eu não gosto muito do jeito que ele escreve, mas não consigo desgrudar do livro. *-* Quero assistir os episódios de Mandrake agora, fato. E também Dexter - oun, alguém me dá o livro que inspirou a série? :'~)
* te adoro, amiga! :D Você e seus comentários proféticos... Haha.
CARÊNCIA
Baseada em certas teorias que gosto de criar, em observações e outros fatos, acredito em amizade verdadeira entre homens e mulheres. Se, alguma hora, um vai sentir atração pelo outro, é outra história. Já me falaram que os homens só são amigos de mulheres que eles acham, pelo menos, atraentes de algum modo. Se for assim, então grande parte deles soube me esconder isto muito bem. Particularmente, nunca tive grandes amigos homens; tenho a idéia meio infantil de que o sexo oposto, em sua grande parte, existe para o amor (ou ódio), e não para uma amizade inocente. No entanto, muitas garotas e seus amigos me fazem ter a opinião que tenho.
Claro que minha opinião faz questão de contrariar tudo o mais que já passei. Já me apaixonei por um ou outro amigo, e fui sempre sumariamente rejeitada. Melhor assim, creio; possivelmente não teria sentido atração se não estivesse carente, e nesses momentos, o sexo feminino é meio cego. É só imaginar a situação: ter aquele amigo que sabe tudo de você, te apóia, está sempre junto, e é vagamente atraente, seja no físico ou na personalidade. Você lá, sozinha, analisando a vida amorosa de todo mundo que, aparentemente, é muito melhor do que a sua. Um dia, talvez com a visão de um casal com um olhar apaixonado, você olha para seu amigo e pensa "e se?...". Então o "se" aumenta de tamanho e adquire tons de fantasia, e quando menos se espera, você já está passando horas se arrumando para vê-lo (não que agora faça diferença, ele já a viu descabelada e com seu moletom enorme), procura pensar bastante antes de falar o que acha (igualmente inútil; se duvidar, ele te conhece mais do que você mesma, e sabe que sua personalidade tem tendências bipolares e sociopatas) e faz elogios sobre ele para quem quer ouvir. Todo mundo percebe que para você a amizade evoluiu consideravelmente. Porém, e ele? Deve estar pensando se você está na TPM, ou se de repente viu um filme que a deixou traumatizada. Ou, talvez, ele compreenda o que você está tentando fazer, e no bom estilo "não vamos estragar a amizade", faz de conta que não enxerga. Talvez, ainda, ele veja e queira também, experimentar; mas só vi isso acontecer uma vez até hoje. Não comigo, mas garanto que deu certo para eles.
Seja lá como tudo vai se suceder, o gatilho maior para uma amizade virar paixão é a carência. Se os dois estão bem, sem ficar por aí procurando amores em cada esquina, esta amizade existe e tem tudo para dar certo. Se existe sempre ou não a tal atração de um pelo outro, já não sei dizer. Depende de cada pessoa, creio. Eu não sou um bom termômetro para essa e outras várias situações, mas garanto, para mim, agora, isso não existe. Sem atração, sem carência, sem nada.
- Pauta para o TDB.
Só eu que já enjoei do layout? Só eu que leio isso aqui? Oh, dúvidas! :D No entanto eu tenho um compromisso bem mais importante domingo e segunda; depois disso, férias, e posso colocar ordem nessa coisa toda. Espero...