
SONHOS COLORIDOS
Mantenho meus sonhos antigos, os que um dia surgiram e continuaram, e mesmo aqueles que não tem nenhum sentido. Já sonhei com o México, as roupas coloridas e o sotaque bonito de quem nasceu lá; com a Irlanda e seus grandes campos; Seattle e suas chuvas, Boston e a universidade; Nova Zelândia com, surpreendentemente, suas ovelhas. Também sonhei com a Terra Média, cheia de elfos de orelhas pontudas e hobbits de pés grandes; Hogwarts, elfos domésticos e varinhas de avezinho com penas de fênix; mais recentemente, com as florestas úmidas de Forks, e vampiros velozes de olhos dourados. Hoje já não sonho tanto, nem falo em espanhol fingindo que estou no meio da Cidade do México. No entanto, quando eu preciso, quando a rotina sufoca e sinto saudade (já que, mesmo irreal, eles me fazem falta), fecho os olhos e posso sentir qualquer coisa: frio, calor, vozes aveludadas ou murmúrios de encantamentos. Meus sonhos são mais do que mera imaginação. Além de manter a esperança viva (não que eu acredite que vou pegar um trem e parar em um castelo mágico, claro), também me relaxam de uma maneira mais eficaz do que muitas coisas no "mundo real".
- Pauta da Capricho. (última desse ano, oun)
Amanhã. *-* Também responderei comentários, é claro, embora meu blog ande meio abandonado, coisa a se considerar. Vestibular realmente acaba com a vida de uma pessoa...
EU JOGO CHARME, ALGUÉM ME VÊ...
Quem já ouviu "Fórmula do Amor" do Kid Abelha, pode me entender. Livros, filmes, seriados e novelas ensinam como seduzir alguém, ora com atitudes, ora com sinais não-verbais. Então você descobre que isso não funciona de verdade. Nem roupas, nem salto alto, nem conversas intelectuais decoradas fazem efeito na hora de impressionar. Ao menos, não comigo.
Meu jeito autêntico-tímido confundem um pouco as intenções que tenho. Certas vezes, fico quieta demais, e não dá de compreender que eu estou tentando ser misteriosa. Em outras, falo demais, ou já acho que conheço intimamente a pessoa, e começo a fazer comentários desnecessários. Nem sei dizer qual é a pior situação. Pior que a timidez sempre me faz ter essas reações extremadas, isso quando eu também não fico vermelha, com as mãos geladas, etc. Enfim, a sedução não foi feita para mim. A única atitude que eu consigo tomar se quero parecer uma Betty Boop é quando estou inspirada, e tiro umas fotos mais assim, sabe? De presente, ganho comentários sobre como sou fotogênica. Isso não é muito animador.
De repente isso está nos genes, e eu não herdei os da minha mãe, esta sim, conquistadora desde seus tenros anos de adolescente. Sou totalmente o oposto dela. Segundo a pessoa que mais sente atração por mim (boyfriend <3), o que primeiramente chamou a atenção foi o fato de eu ser nova e mais madura. Quem sabe, meu charme se esconde nessas atitudes naturais. No entanto, seria bom se eu fosse um pouco mais sexy dançando jazz. :D
- Pauta do TDB.
"Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre, me prenda em seus braços, é o que eu te peço." Oito meses hoje <3, dezoito anos em breve, décima oitava versão em breve também!
AVALANCHE!
Quem inventou os ciúmes fez uma coisa péssima (e nessa categoria entram Pitágoras, Torricelli e todos aqueles físicos e matemáticos que deixaram de legado mil fórmulas que tenho que decorar). Sério: ciúme é um sentimento muito ingrato. Não há o que o pare sozinho, e toda tentativa de apaziguá-lo normalmente só o alimenta mais. A única coisa que ao menos facilita um pouco é a confiança no outro, certeza que não vai ser traído, e se em algum momento surgir essa vontade, pelo menos você será o primeiro a saber, antes de ostentar longos e espalhafatosos chifres.
Um dia, conversando com uma amiga, fomos obrigadas a admitir que temos uma tendência natural a exagerar tudo. É uma bola de neve; começa pequena, e quando finalmente bate em alguma coisa, já é muito mais do que o dobro do problema inicial. Um ou outro scrap com estranhas duplas intenções, vinda de amiguinhas dele, já deixa qualquer garota alerta e confusa. Mensagens, ligações supostamente inocentes, e o ciúme cresce, engloba tudo de bom e só mostra o lado ruim. Pode ser até que tenha alguma coisa mesmo, mas, muitas vezes, são coisas até que inocentes, e estamos furiosos demais para pensar sobre isso. Afinal de contas, a mente catastrófica sempre escolhe a pior opção, e a maioria das mentes são assim, especialmente quando na equação não entram só o ciúme e a provável humilhação, mas também o amor, responsável pelo medo desesperado de perder a outra pessoa.
Eu, por minha vez, admito que sou ciumenta demais, não só com namorado, mas com qualquer pessoa ou coisa na qual eu tenha um laço afetivo mais forte. No entanto, já briguei muito por isso, que é uma grande besteira: mais do que incomodar, também desgasta o afeto. Hoje em dia, tenho sangue frio; respiro fundo, deixo as idéias se organizarem antes de falar qualquer coisa. Sou sensível o suficiente para perceber se tenho um motivo real de preocupação ou é tudo muito simples e bobo. Felizmente, o exercício de racionalização (um dos poucos que funcionam!) já está bem aperfeiçoado em mim, e raras são as vezes que eu realmente me descontrolo e deixo escapar toda a confusão que estou pensando. Ciúmes para mim é isso: uma grande avalanche, que tem que ser controlada antes que fique grande demais e leve todos os sentimentos bons embora.
- Pauta para o TDB.
Resumidamente: PUC, aulão de véspera :'(, UFPR (semana que vem, já!), as três semanas estudando para a segunda fase (e tendo que ir para a aula só na quarta, quinta e sexta), no meio disso meu aniversário de 18 anos e todas as coisas boas que isso implica, UFPR de novo. Então acabou.
Agora sim estou na correria, fato!
CINCO AIS
(1) "Não que estivesse frio - longe disso, esta era uma das
noites mais quentes do ano. No entanto, tinha sua própria pedra de gelo muito
próxima, invisível a todos, menos à ela. Através da pouca luz que vinha da TV
ela via o seu sorriso torto e os olhos dourados e cálidos, seus braços a
envolvendo em um abraço forte, quase sufocante. Havia uma certa desvantagem da
nova situação em relação à antiga; agora que ele estava de fato ao seu lado,
sólido e firme, já não podiam mais ter longas conversas mentais. Sempre estavam
juntos, normalmente muito próximos, pois ele era cuidadoso para não deixar
nenhum espaço vazio estranho aos olhos dos outros. No entanto, os períodos de
silêncio eram muito longos, mesmo que ela procurasse ficar o mais sozinha
possível."
E será que algum dia a percepção sobre ele mudaria?
(2) Oh, dia
16. Será que vai chegar logo? Será que ainda demora? Meu nome estará naquela
lista? Onde farei a prova? Não, não ando por aí morrendo de medo, nem ansiosa,
trocando noites de sono e horas aqui na frente pelas minhas apostilas. Se não
der, paciência. No entanto, vai chegando perto e todo mundo se perguntando se o
trabalho de um ano inteiro valeu a pena de verdade. As aulas de sábado, os
aulões, os dias em que a vontade era que a carteira fosse um pouco mais
confortável para poder dormir. Medo de ter que passar por tudo de novo, embora
com suas vantagens - amadurecimento, tudo o mais. Porém, e um raio caia na minha
cabeça se não for verdade, quero tanto ser uma das calourinhas sacaneadas ano
que vem. Me ferrar com os textos chatos. Andar por aí com uma mochila escrita
"Psicologia - UFPR". Analisar todo mundo (sem ler pensamentos, é psicologia e
não clarividência, né namorado). Ter a sensação de ter passado por cima
de treze pessoas, quarenta e cinco.
Sério mesmo. Nunca devo ter desejado
tanto algo na vida quanto isso.
(3) Um dia, espero poder descrever aqueles detalhes ínfimos
que tanto amo. O jeito que a luz reflete no sorriso. Aquele fio de cabelo um
pouquinho mais claro que os outros. Aqueles tantos momentos que eu nunca fui
capaz de imaginar, mas que eu sempre quis. O perfume que me perturba até mesmo
quando estou longe, mas não pelo cheiro, mas por me lembrar com nitidez dele.
Todas as sinestesias, todas as conversas, daquele incômodo de quando ele vai
embora e do alívio quando volta. Até mesmo lá do começo, as borboletas que, até
hoje, às vezes aparecem inocentes, sem perceber que a situação já é tão
diferente. No entanto, quando tento colocar tudo em ordem em uma história, só
alguns parágrafos, todas as sensações boas se misturam, e os momentos mais
importantes de antes já não se diferenciam dos atuais. Não cronologicamente,
isso eu sei; mas sentimentalmente.
Marleau-Ponty me entenderia.
(4) Ler, ler, ler! Em compensação, dois posts travados aqui, mais duas histórias pela metade. Uma totalmente original, no terceiro capítulo e parada simplesmente pela preguiça. Outra que não era para virar história, virou, quase original, terceiro capítulo e eu incapaz de achar um conflito para poder continuá-la. Sem conflito não funciona. Isso que dá querer adiantar o ponto alto porque não dá de continuar sem ele; a história perfeita esvaziou e secou sem o climax. Quem sabe virem um conto. Sempre tive certeza que, se fosse para escrever um livro, seria de contos, porque eu sei muito bem que sou dotada da perfeita capacidade de iniciar narrativas boas, mas incapaz de continuá-las por longos períodos de tempo.
(5) Ando neurótica com a gramática e construções frasais perfeitas. Deve ser síndrome de pré-sete redações. Pior que fico neurótica e ainda assim erro muito. Talvez isso seja estilo pessoal da autora. :)