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OUTDOOR DESNECESSÁRIO

Quando um famoso (mesmo que seja um ex ou futuro pretendente ao cargo) levanta a bandeira da virgindade, nunca consegue passar despercebido. Normalmente faz mais sucesso do que fulaninha que já dormiu com todo mundo. A maioria dos comentários se voltam à descrença (alguém realmente acreditava quando a Britney batia o pé dizendo que era virgem?) ou então para um julgamento de "como-ela-está-no-século-passado", como aconteceu com a Sandy. Particularmente, acho que quem está na mídia e é inteligente não entra nesse assunto. Passar um bom exemplo é uma desculpa sem fundamento, porque não importa o quão famoso e querido, existem aspectos na vida, como sexo, amor e amizades, na qual a própria opinião é bem mais válida do que a de qualquer outra pessoa, especialmente de alguém tão distante que só é visto pela TV. Então fiquei surpresa quando vi que a Daniele Hypólito, uma das poucas esportistas que apóio veementemente, resolveu levantar a polêmica. Certo, ela pode não ter feito isso de propósito, porém fez, e aí está de novo a discussão. E seus feitos incríveis serão parcialmente ofuscados pela mídia sensacionalista, louca para saber quem é o novo namorado, affair, possível candidato a tirar a pureza da moça. Defender a virgindade (ou, no oposto, defender sadomasoquismo e experiências com animais) é trilhar um caminho perigoso, pelo menos para quem tem a vida tão exposta. Porém, talvez a Daniele não fique com todo esse estigma que estou imaginando, e cada um sabe o que defende. Assim espero.

- Pauta do TDB.

Tenho que responder comentários muito, muito atrasados. Tenho apresentação de jazz amanhã à tarde na UTFPR. :) Sábado é a estréia de New Moon. Estou em crise criativa. Tenho que fazer redações. E tenho sete semanas até o vestibular. OH MY GOD! :O

(ps: layout escuro, e eu amei elevado ao cubo. <3 Os arquivos ficam indisponíveis nessa versão, mas me conhecendo bem, não é preciso dizer que ela vai ficar menos de um mês, com certeza. Todo mundo sobrevive sem meus arquivos e perfil por umas semanas, garanto.)

03h13 PM

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

(Mário Quintava)

Lhe designaram uma imaginação e percepção além do comum. "Talvez isto seja o suficiente para seus propósitos", murmuraram em consenso, passando para o próximo da fila. Porém esqueceram de mandar o manual de instruções junto. Saber usar a percepção da maneira correta era pré-requisito para acessar a imaginação e suas possibilidades ilimitadas, e isto ela só descobriu depois de quinze anos de estranheza com o mundo. Um dia, click, ela compreendeu que a percepção era um sexto sentido com um alarme, mas que este não soava com todos. Era necessária aproximação e boa vontade para enxergar o preto ou o branco onde se resumiam todas as pessoas. Nesse momento crucial, apareceu a imaginação, que saiu de sua caixa de Pandora e trouxe junto uma rica combinação de cores, que só coloriam humanos distantes ou fatos específicos. Ela não demorou para percerber que as nuances eram um remédio mental natural, desde que fossem fortes o suficiente. Ela era a náufraga agarrada ao pedaço de madeira, flutuando pela realidade que não podia mudar por si própria, e todos aqueles amores distantes, coloridos e brilhantes, eram os barcos que a resgatavam. Sua sina era flutuar; mas ninguém impediria suas pequenas fugas para realidades alternativas, sempre envolvendo calor, conforto e todas as esperanças existentes. Neste momento, o mundo era dela.

Houveram outros antes, mas os primeiros de verdade tinham uma cor pastel, talvez creme, levemente fumegante como uma xícara de café. Juntos andavam por um píer e assistiam clássicos kitch do cinema, viraram a pequena cidade do interior com suas idéias, se apaixonaram e viajaram de barco, com seu casco azul-marinho que refletia a água. Sofreram com as formaturas erradas e com as consequências causadas pelo medo de errar, beberam muito e falaram demais, ficaram presos dentro de um supermercado e assistiram a decadência do sonho americano comendo nachos. Foram para programas educacionais de sexo e depois para Paris, cumprindo os sonhos do começo ao fim, para voltarem à cidadezinha que jamais mudou, com suas casas grandes e seu rio, e enfrentarem um flash back ao som da música mais fofa dos últimos tempos. E, quando finalmente todas as peças do quebra-cabeça estavam encaixadas, e o final chegou e passou, a fumaça agradável que acompanhava o creme brilhante desapareceu, assim como desapareceu o brilho, restando só as boas memórias que ainda a fazem sorrir quando se lembra.

Depois, o laranja chamativo que não se desligava nem no escuro, que trazia consigo os cheiros e sabores das calles mexicanas. A cor quase a cegava, de tão absurdamente brilhante, mas aquele era seu sol de Acapulco, a procura de novas chances sem esquecer de velhas felicidades. Suportou o pescador-anjo da praia com sua filosofia de vida enquanto sofria junto à cidade com o grande homem de cabelos cacheados sempre arrumados pelo gel. Procuravam chances juntos, riam e se irritavam com as atitudes absurdas da nova presidente, de repente envolvida em um clima de paz impossível com seu caramujão celeste. Juntos foram para New York e suas luzes que, mesmo tão longe, remetiam à um só rosto, e sofreram até quase cansar, até que finalmente ficasse claro que um pertencia ao outro. Foi quando o laranja de fato machucou seus olhos e ela se obrigou a dar as costas para toda a luminosidade, que, nesse momento, diminuiu até ter somente a luz de uma lanterna. E isso jamais seria o suficiente para prendê-la, por mais que parte de seu coração sempre continue em algum lugar de Monterrey, onde ela espera, um dia, resgatá-lo.

O próximo era de um vermelho vivo, que se misturava em dois aspectos, revelando um terceiro, azul-celeste, com um reflexo frágil. Entre cenas do crime e quartos de hospitais, que sempre exercitavam seu cérebro e sua percepção (muito mais aguçada após o longo período de treinamento hipotético), cresciam dois amores delicados, um nas asas de uma borboleta, e outro nas costas de um leão já enfraquecido pelos fatores alheios à sua vontade. A borboleta ainda empreendeu vôos altos, levando a garota entre conversas que significavam mais do que deixavam transparecer; plantas com cartões diretos, incêndios, velhas histórias que viraram sua visão da realidade, quartos de hotel, o soneto 47 de Shakespeare (que sabe até hoje em inglês sem precisar ler em nenhum lugar), o filme clichê do grande monstro e sua destruição à cidade, e o adeus das luzes, dos sonhos e dos suspiros escondidos. Já o leão pouco pode fazer, dividindo espaço com momentos irrelevantes, e não pode ir a nenhum lugar, além do seu pequeno quarto de hospital. Mas ainda assim, juntos eles andaram um pouco, imaginaram, e ela viu entre os devaneios (que eram tanto dele quanto dela) uma cor que não se apagaria após o fim daquele momento. Infelizmente, apesar da linda cor que o envolvia, possivelmente a mais bonita até ali, o fim foi radical e a afastou dele, embora suas mãos às vezes formiguem desconfortavelmente por toda a saudade, e seu coração se aperte com a falta do sorriso e da voz, sempre tão bonita, mesmo gritando.

Então ela se viu envolvida, não em uma cor, mas em um brilho resplandecente. Tanto o sol quanto a lua aumentavam todos os reflexos de diamantes, e junto aos toques delicados e frios ("mas qual deve ser a sensação térmica real do toque de algum deles?"), se mudou com sua irmã gêmea perdida na maternidade para a cidade onde sempre chove. E juntas tentaram compreender os motivos e as mudanças, as razões para seu sorriso torto e sua estranheza tão bonita e fascinante, seus olhos, hora negros e profundos, hora de um bronze derretido como caramelo. E ao compreenderem, sem medo, entenderam e aceitaram que, naquele momento, não haveria mais afastamento. Doeria fisicamente fazer isso. De fato sofreram, sorriram, choraram, estranharam, e a garota já não se importava, porque ali havia tanto para ser descoberto, esperado e analisado, que mesmo o fim anunciado não abalaria nada do sentimento e necessidade das pedras geladas mais amorosas que poderiam existir. E o barco faiscante e incrustrado de pequenos diamantes sempre anda ao seu lado agora, cumprindo seu papel e dando tanto para sua imaginação que o sorriso não é só mera expressão facial, e sim um sorriso real, interno. She is a happy fanpire now. :)

(Se alguém compreender todas as referências que eu fiz, ganha um prêmio. Nem precisa entender todas as metáforas, só as referências já dão um trabalho absurdo. :D)

04h39 PM

O LADO RUIM DAS COISAS BOAS

Originalmente, tudo precisa do seu contexto. Nenhuma conversa chega à um certo ponto sem algo ter sido falado antes. Porém, por mais racional e paciente que eu seja, é díficil imaginar qualquer tipo de contexto que envolva certos scraps extremamentes íntimos na página dele... A única coisa que me impede de ligar para o celular dele imediatamente e começar a discutir é que minha confiança é maior do que qualquer tentativa de abalá-la. Então prefiro respirar bem fundo e enviar uma mensagem de texto com o sarcasmo mais explícito possível, deixando claro que é melhor que tal situação não se repita.

Em seis meses, houveram poucos momentos tensos causados pela internet - ou melhor dizendo, pelas pessoas que conhecemos por aqui. Mas eles sem dúvida existiram; não sei se existe modo para que isto não aconteça. Nós dois somos extremamente independentes - não, nada dele na minha foto do profile, nem declarações de amor histéricas no "quem sou eu". Desde o começo, ficou claro que não era necessário o exagero comum visto por aí, até porque nos falamos todos os dias, e sabemos muito bem como nos sentimos em relação ao namoro. Porém, não sei se essa aparente (mas falsa) falta de carinho entre nós acaba mostrando um caminho mais fácil às coleguinhas mal intencionadas dele e aos meus amigos com idéias singulares sobre amizade. E de repente surge um ou outro scrap que revela segundas intenções, ou intimidade demais para qualquer um que leia aquilo.

Mas, independente dos aborrecimentos esporádicos, este é só um lado ruim. Internet só atrapalha os namoros que tem algum tipo de abalo, ou se de fato algo está acontecendo nas entrelinhas... Nem eu nem meu namorado vamos parar de usar o Orkut ou qualquer outra ferramenta de comunicação, e eu jamais pediria isso à ele. Com todo o nosso modo singular (mas que funciona perfeitamente) de enxergar o nosso relacionamento, isto seria ir totalmente contra o que estamos vivendo até hoje.

- Pauta para o TDB.

04h38 PM