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ALGUÉM INVENTA?

Gostaria que um cientista maluco um dia inventasse um cérebro extra para informações inúteis. Explico: eu não vou usar física para nada na minha vida, porém sou obrigada a aprender como usá-la. E se eu não souber fazer pelo menos uma conta de velocidade média ou queda livre, não vou passar no vestibular no final do ano. Então, para os vestibulandos desesperados como eu, existiria o cérebro biônico, onde seriam armazenadas fórmulas de física, a tabela periódica e os nomes esquisitos de biologia. Mas não serviria só para isso! Workholics usariam para transferir o conhecimento de trabalhos mais chatos; mães colocariam receitas de bolo e informações sobre os amigos dos filhos. Com o tempo surgiria o mini cérebro para levar na bolsa, cérebro colorido para os mais fashions (em rosa, azul, roxo e brilhante no escuro), cérebro falante e quem sabe um cérebro com celular, MP4 e memória extendida (imagine o slogan: "inteligência e diversão ao mesmo tempo!"). E cada novidade seria acompanhada pela mídia, e começariam a surgir nos camelôs o cérebro made in China, que armazenam só três informações por vez. Vai dizer que não seria divertido?

- Pauta da Capricho.

Please, eu quero mais um cérebro. Coisas importantes nos meus neurônios estão sendo substituídas por informações inúteis. :S

08h08 PM

FOREVER?

Quem dirá o que é para sempre? E se em algum momento a felicidade é trocada pela dúvida, e o eterno vire momentâneo? É natural, mudamos o tempo todo e sabemos disso; mas na hipocrisia e em um fechar de olhos dizemos que nossa amizade, nosso amor, nossa escolha é para sempre. Até mudarmos de novo. Não que não existam amores eternos: aqueles que, apesar das mudanças individuais, somente melhoram e se fortalecem.

E em um momento de cegueira, entre juras de amor eterno, o casal vai em um estúdio de tatuagem e escreve os nomes um do outro, de preferência entre qualquer outro desenho que signifique algo. Como se além de alianças, da convivência, do único assunto ser eles, de respirarem o mesmo ar e esquecerem da própria vida, fosse necessário provar que é para sempre. Provar para quem? E mais, para quê? Não importa se é eterno. Existem relacionamentos que duram semanas e causam maior comoção e saudade do que aqueles que duraram anos. Usar um pedaço do corpo para provar que o amor é verdadeiro é besteira. Melhor é provar isso todos os dias, com um carinho, com uma palavra e com um gesto, e depois não se arrepender e querer arrancar a tapas o nome do ex da própria pele.

E imagine? Anos depois, já casada com outro, perguntam o que significa tal nome tatuado entre corações. Como explicar que foi um amor repentino, uma coisa fulminante, um ato desesperado? Melhor dizer que era o nome de um cachorro que tinha na infância. O quê afinal de contas, ele foi mesmo.

- Pauta do site do TDB.

Divertido seria tatuar o nome de todos os ficantes e namorados. Seria uma lista telefônica de fácil acesso. :D Mentira, claro. Só acho válida a tatuagem em dois momentos: naquele em que o namorado(a) já não está aqui para retribuir a gentileza - é uma mostra da eternidade, essa sim real, em um relacionamento sem fim. Só que, obviamente, se a pessoa tatuada sabe separar e superar. E aquela sem nome, um desenho com significado. Pelo menos dá de mentir sobre tal significado se houver a necessidade. ;D

01h58 PM

BEAUTY, PLEASE

Aparência é a primeira coisa que vemos. Ás vezes, a última. Dizer que pouco importa a beleza, que mais vale a inteligência e não importa se você usa óculos fundo de garrafa, roupas do tempo da bisavó e tem cabelo ruim é coisa de novela mexicana e filmes clichês. Beleza é aquele pré-requisito não divulgado, para não causar discussões. Mas independente de onde você esteja, beleza abrirá inúmeras portas.

A questão é se elas se manterão abertas. Porque a beleza não dura para sempre, e se não houver inteligência, o sucesso será vazio e rápido. E não somente a inteligência que se aprende na escola, e sim aquela que você aprende com a vida. É inocência achar que só um rostinho bonito impedirá outras pessoas tirem proveito de sua posição. O ideal seria a união de beleza e inteligência, muito de ambas. Mas se não é possível, que seja mais da segunda.

- Pauta da Capricho.

05h12 PM

PERFECCIONISMO

Tudo começou com aquele olhar crítico de adulto nos olhos de uma criança. Vigiava o quarto em todos os ângulos, sentada no chão, o sol batendo nas paredes cor-de-rosa. Nada poderia estar fora do lugar. Sabia onde cada bicho de pelúcia ficava, as bonecas, o Lego. De repente aumentou a frequência. Olhava uma vez ao dia; começou a olhar três, quatro vezes. Até o momento que não conseguia mais brincar - a necessidade da perfeição nos módulos e estantes era maior do que a necessidade de espalhar tudo no chão. Começou a ficar em cima da cama, olhando cada canto uma vez e outra, entendiada. Não acontecia mais nada, nem bom nem ruim, nem perfeito nem imperfeito. Simplesmente nada. E foi obrigada a desistir da vigília secreta, e abrir mão da arrumação, voltar a brincar e espalhar tudo em cima da cama, do tapete, da escrivaninha. Não valia a pena tanto cuidado.

Muitos anos depois, se sentiu uma idiota. Talvez pela camiseta amarela muito grande, a tiara azul, o tênis velho. Não imaginava que pessoas da mesma idade pudessem ser tão diferentes de si; e que entre assuntos das mais variadas espécies existissem tantos que tomavam outras pessoas como referência. Um ano sozinha, a companhia errada, e ali percebeu que sem o olhar crítico de adulta não iria a lugar nenhum. Procurou em suas limitações a atitude perfeita - aquela que não era extravagante, nem tão apagada. Simplesmente necessária, presente. Se transformou em uma mentira. Falava as palavras perfeitas, era uma amiga perfeita, era a aluna perfeita. E quanto mais tempo passava mais se perdeu nos ideais, mais exigiu de si. Em certos momentos, sua alma estava atormentada demais para prosseguir; então se refugiava, e assim que melhorava, compensava as próprias falhas insignificantes com demonstrações enormes de carinho.

Porque errar não é uma possibilidade.

Porque cada vez que não é a filha, a amiga, a aluna, a pessoa perfeita, mais exige de si. Porque não consegue ler seus próprios textos e neles ver beleza, mesmo que sejam publicados, mesmo com a nota 10 de caneta vermelha na redação; nem consegue se contentar com o que faz no Photoshop, ou em como está o nick do MSN ou o álbum do Orkut. E todos os erros são estúpidos, e seus defeitos são os piores, e cada quilo na balança significa preguiça, cada espinha ou unha quebrada é única e exclusivamente sua culpa. Nada muda isso.

Algum dia meu perfeccionismo ainda me destruirá, e serei eternamente frustrada, eternamente descontente. Perfeitamente imperfeita.

(e não que eu não saiba que ser perfeita é muito chato, e ter uma dose de defeitos faz tudo ser mais divertido... Mas tem vezes que minha mente apaga esse fato. Muitas vezes.)

09h32 AM

(DOIS) SONHOS DE VALSA

Desde os meus 12 anos eu compro um Sonho de Valsa no dia dos namorados. Não sei quem inseriu tal ritual na minha vida, mas ainda assim continuei comprando todos os anos e lamentando minha falta de sorte. Como se um bombom de chocolate preto com recheio cremoso substituisse uma pessoa de verdade. E depois de consumi-lo ferozmente, gastava meu tempo em fulminar com o olhar aquelas garotas sorridentes com uma aliança no dedo anelar da mão direita, e, não raro, segurando muitas rosas com um braço e o respectivo namorado com outro. Ah sim, o pior dia do ano era o dia dos namorados. Era a prova de que eu era encalhada, e que talvez morreria sozinha e solterona, vivendo em um apartamento com três gatos, sem jamais ter tido o prazer de compartilhar com alguém minha rotina, minha vida ou simplesmente aqueles pensamentos inconfessáveis para qualquer pessoa que não tivesse um alto grau de intimidade.

Então comecei esse ano pensando que talvez fosse hora de parar de comer chocolates e lamentar meu azar, e fazer algo efetivo para que essa data tivesse significado. Não que eu tenha feito muita coisa - tudo foi de repente, com uma grande parte de destino (e se minha mãe não o tivesse conhecido? E se nós não estivessemos disponíveis ou interessados?) - mas agora me vejo planejando o presente, as palavras e tudo o mais. Até porque no mesmo dia faremos três meses juntos, noventa dias em que ele esteve mais comigo do que meus amigos, e em certos momentos, mais do que eu mesma.

Porém, essa não é a questão. O dia dos namorados é uma data que promove o consumismo, mas também promove o amor e a importância de termos alguém do lado. Já não odeio mais essa data, e definitivamente só a odiamos quando estamos sozinhos. E ao invés de comprar um Sonho de Valsa para mim, comprarei dois. E um é dele.

- Pauta do site do TDB.

Yeah, eu te amo e você sabe disso. :D E feliz dia dos namorados (e três meses!) adiantado para nós. (e torçam por mim no simulado de discursiva/redação sábado. Oh my. ;@)

12h33 AM