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O MAL E SER MELHOR

Inveja é um sentimento normal. Ao ver alguém com algo que não podemos ter, mas que gostariamos, aquele sentimento lá no fundo do coração é automático, e vai crescendo... ou não. Muitas pessoas tem a capacidade de olhar para as coisas boas que tem, e estarem satisfeitos. Mas não é meu caso. Acho errado, mas ao ver aquela foto de uma pessoa qualquer com o ator que adoro, alguém com o celular dos meus sonhos, estudantes do curso que quero, já me vejo crispando as mãos e procurando motivos para tais conquistas não serem tão importantes. Mas aí mora a diferença. Alguns querem ter algo que uma pessoa também tem, como um MP3 e um celular. Outros não querem o objeto de inveja, mas também não querem que o outro tenha. Nesse caso, o que incomoda não é o objeto em si, mas o efeito que ele faz. É um mal disfarçado, querer que outra pessoa não seja feliz - e essa sim é a destrutiva. E existe, totalmente contrária, a inveja construtiva. Como quando vejo as fotos do vestibular ano passado: quero estar lá, e não que aquelas pessoas não estejam. Essa me faz querer ser tão boa quanto aqueles que invejo. A questão não é se você sente ou não. É como lida com ela.

- Pauta do TDB.

Estou cansada, certo (ninguém mais aguenta ouvir isso). ._. E queria que meu aniversário fosse antes de novembro. Não pelo o que você está pensando, mas porque é realmente chato que todas as minhas amigas façam 18 anos antes de mim e possam sair por aí, enquanto fico olhando para o teto. Mas viverei (como se eu gostasse de sair e saísse muito, mas ignore essa parte).

09h15 PM

THE CREEK, OVER AND OVER AGAIN

Sem dúvida, eu gostaria de ver novos episódios de Dawson's Creek. Certo, isso não é nenhuma novidade. E apesar de todas as horas perdidas na frente da TV assistindo as mesmas cenas só para decorar as falas (me perguntem das falas da terceira temporada, sei quase todas), adoraria uma sétima temporada. Ok, a sexta temporada foi perfeita, foi a última e de fato resolveu muitos conflitos que existiam desde... ahm, sempre. Mas eu amaria ver Joey e Pacey vivendo juntos, o Dawson ajudando o Steven Spielberg em um novo filme, o Jack cuidando da filha da Jen junto com o Doug e todos felizes visitando Capeside de vez em quando. Mas, pensando melhor, talvez não seja uma boa idéia. Afinal de contas, mais uma temporada significa mais tempo para a Joey pensar, e quem sabe ela mudaria (de novo e mais uma vez) de idéia sobre com quem ficar no final: Dawson (coisa feia, alma gêmea) Leery ou Pacey (perfeito, amor verdadeiro) Witter. Melhor deixar o final daquele jeito mesmo (mas que tal um filme? Isso sim seria legal).


I don't want wait for our lives to be over... (tá, admito que morro de saudades deles :D)

- Pauta para o site do Tudo de Blog. (:

02h23 PM

CADA DIA

O riso é automático, mas quando é sério, os minutos passam devagar. O fim da liberdade de falar quando quiser faz com que o raciocínio não funcione direito, que o sono não funcione direito, até a voz fique mais devagar, mais pensativa, mais confusa. E no meio de tudo penso como pode me afetar de tal maneira. Mas antes de uma conclusão já estou sorrindo novamente, e o tempo é meu amigo quando sinto falta, mas também passa rápido quando estamos juntos, e de repente já é hora de dar tchau ir para o jazz, pro cursinho, pra casa. Odeio quando é tarde, mas já fico esperando a próxima vez, e entre dois pensamentos conflitantes mostro minha vida, meus hábitos antigos, aquelas ruas que cansaram de mim e aqueles lugares que já não tinham mais graça, mas que são renovados ao mostrá-los pela primeira vez a alguém. E não é simplesmente alguém, é o alguém.

E no meio das risadas e de besteiras, ele me conhece bem. De tal maneira que quando fala sobre casamento, perfeição e banalidades, ainda que às vezes o pensamento não seja o mesmo, não fico ofendida como ficaria com qualquer outra pessoa. E descubro em certos ideais antigos um certo problema, um lado que não era visível. Não que estejamos certos todo o tempo, mas ter uma opinião válida (com boa argumentação, especialmente) já é um exercício de amadurecimento. E quando ele me pergunta sobre comportamentos, tenho que enxergar aquilo tudo que deixo nas sombras por medo de mexer e piorar o que já é ruim; mas acabo ficando mais tranqüila com meus próprios traumas. E amadureço um pouco mais toda a vez.

Eu pensava que pessoa perfeita seria aquela que gostasse das mesmas coisas e que vivesse da mesma maneira. De tal modo, haveria menos conflitos, conversas intermináveis - já imaginava inclusive o assunto dessas -, e viveríamos em harmonia. Então estou alguém totalmente oposto (pelo menos aparentemente), e no ínicio me perguntava todo o tempo sobre o que falariamos. Passei tanto tempo refletindo que demorei para falar de fato, e então descobrir como é fácil conversar com ele: seja sobre a vida futura, pombos com moicanos ou sobre aqueles comentários espontâneos que faço e que rendem horas de conversa. Porque ele me faz rir (e muito) dos meus próprios deslizes, coisas que acabariam me incomodando por dias, meses, anos. E por mais que às vezes o silêncio dure um bom tempo, não me incomodo tanto, talvez pela presença, talvez porque sei que alguma hora vamos falar alguma coisa que fará a conversa recomeçar. E com nossos gostos opostos, aprendo muitas coisas (ele é uma enciclopédia ambulante de informações, pronto falei), e ensino algumas - não muitas, é verdade, mas vamos considerar que ele teve quatro anos a mais para reter tudo isso.

E mesmo quando eu me canso de minhas reclamações intermináveis, quando estou em um mau dia comigo mesma, quando tudo insiste em cair de uma vez e não consigo simplesmente ignorar e ir em frente, ele está comigo. Mesmo quando minha insegurança corrói como um ácido forte, sem dar tempo para a parte racional controlar a emocional, ele dá motivos para me acalmar. E a cada conquista, cada decepção (benditos simulados!), ele está ali, orgulhoso ou me empurrando levemente para frente.

Sim, a cada dia que passa eu o amo mais. E descubro, todos os instantes, mais alguma coisa especial, mas se eu fosse tentar descrevê-las, uma a uma, seria impossível. Passaria meses escrevendo e acabaria rasgando tudo. Prefiro viver ao lado dele e tentar demonstrar, meio frustrada, tudo o que o "nós dois" significa. Com certeza.

(e sim, isso foi tudo para você. E sim, sua pequena panda negra das sombras (adorei isso) já está achando tudo excessivamente meloso e grudento. Mas o quê importa. Te amo ♥)

 

- E claro, olhem meu post sobre casamento no site do Tudo de Blog. Hê! \o/

12h39 AM

VANTAGEM PELA DIFERENÇA

Não sou negra, mas estudei em escolas públicas durante toda a minha vida escolar. Ano passado fiz vestibular pela primeira vez, na UFPR – sem usar minha cota – e não passei. Nem na primeira fase. Mas como poderia passar se, ao ler a prova, percebi que ali haviam coisas que eu jamais havia visto? E não por minha falta de capacidade (sempre fui daquelas alunas que se sentam na primeira fileira e tiram notas boas, pelo menos na maioria das matérias), mas simplesmente porque meus professores ignoraram tais matérias essenciais (ou não tiveram tempo de ensiná-la). E um detalhe: eu estudava em um colégio público bem conceituado aqui em Curitiba.

Sim, eu acho as cotas justas. Tanto as raciais como as sociais. E não vou me importar de usa-las esse ano, porque quero entrar na UFPR, porque é meu direito. Não tenho culpa de meus pais não terem tido condições de pagar um colégio particular, e na realidade todos esses anos que passei me fizeram conhecer diversas realidades. A educação deve melhorar, mas desde o começo. E só porque eu não pude ter essa base, não significa que não devo ter oportunidade de entrar em uma faculdade de qualidade. E detalhe: de graça.

- Pauta para a Capricho.

01h40 PM

ATÉ QUE A VIDA OS SEPARE

Eu era criança e acreditava no casamento. Em todas as minhas brincadeiras tinha uma cerimônia, um filho, uma casa, a rotina, e eu acreditava que aquele belo sonho sem nuvens era a solução, o óbvio depois de certo tempo. Sabia meu vestido, a decoração, a lua de mel. Então me pergunto: em qual momento eu parei de acreditar? Quando que olhei para esse conto de fadas e virei uma incrédula, desisti de sonhar?

Talvez meus pais tenham parte nisso. Eu era uma das poucas crianças que tinham o pai e a mãe juntos, e naquela época o divórcio era algo comum: e eu via minhas amigas faltarem as aulas, chorarem, e toda aquela alegria virava uma apatia que durava, naquela noção de tempo infantil, uma eternidade. Sentia tanto medo que o mesmo acontecesse na minha casa, e a cada briga, eu pedia aos céus, à terra, à qualquer um, que meus pais não desistissem um do outro. E como aparentemente eles continuavam juntos e felizes, eu esperava me casar e ter uma relação tão saudável quanto a deles. Até que um dia eu entendi: aquilo não era felicidade, era falta de opção. Era a impossibilidade da mudança. Entendi os erros e os defeitos, que não foram poucos; parte da minha inocência sumiu, e junto com ela a minha certeza sobre passar a vida junto à alguém.

Porque o tempo desgasta, porque todos nós erramos, e esses erros se acumulam na mente do outro. Porque o amor, alguma hora, é trocado pelo comodismo. O amor não consegue durar para sempre e todo o tempo, e desistimos, desistimos de tentar ignorar tudo aquilo que incomoda, desistimos de passar por cima daqueles pequenos defeitos, aquelas besteiras. Não acredito em casamento para sempre, até que a morte os separe. Mas hoje minha visão não é tão radical. Não acredito no eterno, mas não é por isso que não se pode tentar. Passamos a vida a procura da felicidade, e essa é uma etapa necessária; cada um sabe a necessidade que tem de pertencer ao outro. Eu sei a minha, e estou aberta às possibilidades. Talvez, daqui a uns anos (depois da minha faculdade e de mais uma dezena de sonhos cumpridos) eu me case, e de alguma maneira tudo dê certo. E que seja eterno enquanto dure.

- Pauta para o site do TDB.

04h37 PM

MARÇO, MAIO

aves
    de ramo
      em ramo

meu pensamento
   de rima
       em rima
                erra

até uma
   que diz
       te amo

(Paulo Leminski)

Dois meses atrás prometi. Não iria sumir, continuaria escrevendo, assistindo meus seriados, lendo meus livros. Tudo o mesmo, e meus dias seriam completos. Até acharia um tempo para fazer exercícios nos dias sem aulas de jazz, e estudaria loucamente, e não sumiria para meus amigos, nem para ninguém que precisasse de mim. Acharia até tempo para uma dose diária de conhecimento, aperfeiçoando o que já sei e acrescentando novas informações. Continuaria eu mesma, mas muito melhor. Só esqueci de pedir um cérebro extra e dias de 30 horas.

Só que hoje não estou escrevendo para reclamar. Hoje escrevo para dizer que mesmo sem CSI, mesmo sem saber por onde anda o Jeffrey, mesmo sem ler Agatha Christie, mesmo acompanhando as pautas do TDB e estando sem tempo para escrever mais, mesmo sem doses diárias da Wikipédia sobre assuntos (in)úteis, mesmo (e acrescentem aqui tudo o que eu achava ser indispensável à minha sobrevivência), estou feliz. Não que tudo esteja perfeitamente certo; sinto falta de amigos presentes e verdadeiros, e faria qualquer coisa para continuar indo na biblioteca todas as semanas e descobrindo Clarice, Agatha, Gabriel, Machado, Fernando, ou continuar pegando seis filmes de uma vez na locadora, ou assistindo episódios inéditos, as reprises e as reprises dessas. Mas, no meio da correria, isso passa quase despercebido. E fico feliz pelos dias que tenho aulas com os professores que gosto, mesmo que as matérias me entendiem, e vou pontualmente para o jazz e treino para o dia 31 de maio, que já está chegando. Ainda mais: a dois meses estou do lado de alguém que dia após dia é mais especial, mais importante, mais necessário. E no meio do caos dos seis dias da semana (considerando assim que tenho tido aula todos os sábados), ele tem sido o alívio e a calma, que duram do momento que acordo até a hora de dormir (com a devida mensagem de boa noite, claro).

Apesar de me cansar às vezes, querer voltar para casa, passar uma semana olhando para o teto, me arrependo quase de imediato. Queria meus amigos mais perto, mas não saberia passar meus dias sem aulas de biologia, fórmulas engraçadas de física (a-vo-tê, cara! Ainda choro de rir lembrando daquilo, HAHA), ensaios realistas de jazz (público!), e especialmente conversas sem sentido sentada em um banco da praça. :) E estudar mais me colocará dentro da universidade dos sonhos, e de lá partirei para sonhos maiores, cada vez mais. Porque os sonhos de criança não desaparecem, só são trocados por melhores, e possíveis.

10h31 PM

MELHOR MÃE-AMIGA

Quando minhas amigas conhecem minha mãe dizem: nossa, eu queria que a minha mãe fosse como a sua. Claro que nossa relação não é perfeita, e existem muitas vezes que a vontade (tanto a dela quanto a minha) é não nos falarmos nunca mais, irmos embora, esquecermos uma da outra. Mas ainda assim eu tenho plena consciência que minha mãe é uma pessoa única, e eu tenho muita sorte de tê-la - inclusive pelo fato que se ela não fosse quem é, eu não seria quem sou. Nem de longe.

Minha mãe é aquela que fala sobre tudo, desde que eu sou pequena. É verdade que às vezes ela quer que eu seja mais madura do que sou de verdade, mas vendo em retrospecto sei que isso me fez muito bem. Ela é aquela que sabia que eu roubava as revistas Cláudia para ler desde pequena, e então esclarecia (com sete, oito anos!) minhas dúvidas sobre sexo. Não, eu nunca achei que nasci de um pé de repolho, ela nunca me ensinaria isso. Ela é aquela que me levou com 14 anos para um estúdio de tatuagem, e fizemos juntas a mesma estrela, no mesmo lugar, como se precisasse de mais alguma prova de que somos mãe e filha. É aquela que fica tirando tanto sarro de mim, mas é minha cúmplice quase todo o tempo, e juntas fazemos planos malignos para a conquista do mundo. É aquela que sabe antes de mim o caráter das pessoas (ainda que às vezes a idéia dela seja meio radical), e me avisa ainda que eu finja que não ouvi e acabe comprovando do meu próprio modo que ela estava falando a verdade. É aquela que fica curtindo minha própria vida amorosa (afinal de contas, quem me apresentou ao meu namorado não foi nada mais, nada menos que ela. E se não fosse pela insistência dela, hoje eu não estaria feliz, namorando). Minha mãe é minha melhor amiga, e é ela que ouve todas as bobagens que meus professores falam no cursinho, ou ouve minhas racionalizações, ou as cenas legais de seriados, livros ou filme que ela nem gosta (mas finge o interesse, para não perder a amiga). Minha mãe está aqui o tempo todo, e eu não admito a possibilidade de que algum dia, por nossas próprias falhas, ela vá embora, ou eu o faça. Mas pensando bem, acho que nossa relação é mais forte que os problemas, e isso não é algo que possamos quebrar.

E ela estará aqui quando eu me formar na faculdade (por sinal, ela amou que eu tenha escolhido psicologia), e estará aqui até o momento que Deus quiser. E seremos felizes até lá. :)

TE AMO, MÃE <3

- Pauta para o site do TDB.

 

- E então, falando em jogar a mãe do trem, o que você vai me dar de dia das mães?
- Sei lá.
- Um caixão?
- Por quê? O.O
- Ué, depois de me jogar no trem você vai precisar de um caixão.
- Cala a boca, mãe. ¬¬

12h29 PM