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DESIGUALDADE/HABILIDADE

Não sei se a guerra de sexos existe desde quando o mundo é mundo; se lá nas cavernas os homens de fato carregavam as mulheres pelos cabelos, e elas, em segredo, planejavam revoluções (como queimar a capa de pele favorita do marido dominador). O que eu sei é que fico, de fato, irritada quando ouço comentários machistas de uma sociedade aparentemente tão evoluida quanto a nossa. Existe algo mais irritante do que ouvir que nós ganhamos menos, que nosso papel é no lar cuidando dos filhos e esperando os maridos com um sorriso no rosto e com a casa arrumada, e ainda pior, que alguns psicólogos hoje defendem que com a evolução da mulher no mercado de trabalho fez com que ela passasse menos tempo em casa, e isso faz com que os filhos não tenham uma noção apropriada de família e amor. Sempre penso, depois de ouvir tamanho absurdo, que as mulheres deveriam dominar o mundo e serem o sexo forte. Mas ao mesmo tempo, a questão não é se homens ou mulheres devem comandar as relações no planeta: a verdade é que pessoas competentes devem fazer isso, independente do sexo. O mundo já é um lugar muito caótico para ficarmos com disputas infantis de quem é melhor baseado na ausência ou presença de algo.

- Pauta pra Capricho.

(cara, não me deixem mais comer sorvete. Nunca mais, mesmo. n_n)

06h54 PM

MUDANÇA DE PADRÃO

No meio de uma aula de literatura, enquanto explicava algum movimento que aconteceu à muito tempo atrás mas que ainda exigem no vestibular como se tivesse acontecido ontem, meu professor disse mulheres bonitas naquela época eram as que tinham curvas. Muitas curvas. E, naturalmente, todos aqueles garotos que privilegiam um corpo bonito ao invés da maturidade, inteligência ou qualquer outra coisa que fique do lado de dentro da cabeça, e não fora, vaiaram e disseram que os homens naquela época tinham sérios problemas. Curiosamente, na mesma semana, meu professor de história também comentou que beleza não eram essas garotas que tem o joelho maior que a coxa. E apesar das risadas, ouvi uns comentários de aprovação com nosso padrão atual.

Ao mesmo tempo, os estilistas dizem que, como criam as roupas, eles tem direito de exigir um corpo específico. Eles precisam de cabides padronizados, não de pessoas normais. E quando assisto algum desfile (normalmente sem querer), concordo com essa opinião: muitas das roupas que criam ficariam ridículas - e principalmente excessivas - em um corpo "normal". Além disso, existem muitas garotas cuja estrutura óssea é pequena mesmo (da mesma maneira que a minha e de mais milhões de mulheres é grande), e manter o corpo magro não é tão díficil. Eu tenho pelo menos três amigas que têm corpo de modelo, embora não sejam, e legal mesmo é que elas comem tanto - ou mais - do que eu.

Mas como não são todas que nascem com os genes da magreza, e infelizmente a sociedade exige que tenhamos corpos perfeitos, muitas de nós vivemos de dieta, passamos horas na academia, trocamos o prazer de uma pizza, batata frita e um chocolate no fim por causa das calorias (na verdade não só por elas, mas comer de vez em quando não mata ninguém por causa do colesterol - e a verdade é que muita gente não come isso nunca). E pior são aquelas garotas que, por pouco, não atingem o exigido na moda, e por isso ameaçam a saúde para poderem desfilar: e pior que além de estarem fracas fisicamente, mentalmente isso também as atinge. É díficil para mim, uma garota normal de 17 anos, viver com a pressão de que meu corpo deve ser de tal maneira, indiferentemente do que penso, sinto ou quero. É algo que está incrustado nas revistas, na televisão, nas lojas, nas ruas e nas outras pessoas. Então só posso imaginar o que é para alguém da minha idade ou mais nova, no meio do turbilhão da moda, ouvir que é gorda por ter 50 quilos.

A verdade é que pouco adianta leis ou discussões se as modelos devem ser mais curvilíneas ou não. Quem está dentro dos desfiles se recusa a discutir o padrão que criou. Só podemos esperar a mudança - afinal de contas, os padrões de beleza se alteram com o tempo, e não podem exigir mais do que já fazem. Quem sabe, daqui à uns anos, todas as que sofrem para emagrecer hoje comecem a comer feito loucas, porque moda agora é ter muitas, muitas curvas,

- Pauta do site do Tudo de Blog.

(não sou louca por dietas, só quero ser uma pessoa suficientemente elegante e bonita para quem eu gosto. E não tô nem aí se exigem que eu tenha menos de 60 quilos, barriga lisinha, braços musculosos e tudo no lugar - e sem celulite. Porque se quer saber mesmo, eu gosto do meu corpo do jeito que ele está agora, e já vai fazer um ano que estou assim.) (só tenho que parar de comer errado, porque está me fazendo mal. Droga. ._.) (e é normal que o braço continue doendo quase três horas depois de tirar sangue? oO)

10h04 AM

DESMETÁFORA

Cansada das metáforas, cansada das palavras vazias que parecem ter sido escritas por qualquer cantor decadente entre goles de cerveja em uma tarde quente de domingo. Quero ser literal, jogar as palavras ao vento, sem me importar com seu significado. Mas não posso. Meus dedos não obedecem espontaneidade. Minha mente exige o controle, enquanto meu coração berra, em bom tom, que quer liberdade de todos os padrões morais. Que se dane o que os outros pensam. Sentimentos só servem quando encontram suas vias de expansão fora do corpo que as criou, com tanto cuidado. Minhas emoções querem viver na rua, sem luxo, sem proteção, chocando terceiros com seus impropérios. Felizmente tenho uma mente ditadora, que impede todo e qualquer tipo de constrangimento - mas que também reconhece a possibilidade de um pouco menos de repressão. Estou aqui portanto.

Ajuda, atrapalha. E atrapalha novamente. Amizade consegue ser mais complicado que amor. Não sei se me foquei em um ponto imaginário esse ano. Não sei se, quando 2007 acabou, eu pensei que tanto faria para onde minhas amigas iriam. O fato é que eu fiz umas duas, três amizades no Expoente, mas nada como antes. E de repente faz meses que não vejo meus amigos, e já não sei se posso continuar a chamá-los assim. Com exceção de poucas pessoas, essas poucas que apesar de desaparecerem um pouco, voltam na mesma posição de antes, não sei onde estão as outras. E me faz pensar que aquela amizade que eu considerava tão grande a ponto de superar distância, cursinho, faculdade e vida... não era nada mais do que uma convenção e uma aceitação com fundo de negação. Ou quem sabe elas só estão sendo mais bem-sucedidas com suas novas amizades, e não necessitam lembrar do passado com saudades (de festas, terapias em grupo e milhões de besteiras).

Pior mesmo é que no fundo eu já sabia que isso iria acontecer. Só acreditei por um momento que não. Mas foi rápido para desacreditar.

Para compensar, e porque nem tudo pode ser ruim, hoje amanheceu chovendo. E fazia um certo tempo que não chovia. Segundo uma daquelas teorias que existem desde que o mundo é mundo (ou desde que uma tia solterona saiu na chuva e conheceu o homem da sua vida), chuva em épocas de mudança trazem boa sorte. Mas não só mudanças daquelas envolvendo caixas e transportadoras quebrando seu espelho favorito de dois metros - a chuva também é bom sinal em aniversários (e se levarmos em consideração ano passado, minha festa surpresa e o céu caindo, meus 17 anos de fato são especiais) (e na verdade, eu não tenho como contestar que está sendo o melhor ano da minha vida, de longe), provas importantes, primeiros encontros e começos de relacionamentos. Então acordei hoje e estava chovendo, e fui obrigada a sorrir, mesmo tendo que me levantar e correr para assistir aula em pleno sábado. Porque à um mês e dois dias atrás estava chovendo, assim como à um mês e um dia, e finalmente à um mês. Não, não estou comemorando meses, estou só comentando. Mas a chuva vem reforçar a idéia de um relacionamento longo e duradouro (e não fui eu que falei isso), e esses 30 (ou 31?) dias foram especiais, confusos, cheios de mudanças e adaptações, mas tudo na medida certa e eu não troco por nada. <3

Pequenos fatos, antes do fim: será que sou a única curitibana que nem sabia o que era Lupa Luna até umas dez horas atrás? E que vergonha, tem uma placa gigante anunciando o evento na frente da minha casa. / O professor Heraldo acertou e agora a UFPR tem uma nova Coordenadora do Núcleo de Concursos. No que me afeta? A filha da mãe colocou Filosofia como específica para Psicologia. É hoje que eu mato alguém. / Mas três aulas com o professor Borges no sábado não é sofrimento nenhum. Especialmente entregando minha montagem bocó pra ele. HA² / Estou no site do TDB com o post sobre celebridades, apareci no Leia Mais na Capricho com o post de internet e tirei 10 na minha primeira redação. Como escritora, essa semana foi produtiva.

(Mas FILOSOFIA cara? Vou ter que estudar Platão pra passar? Ah não, eu vou esganar alguém, e é hoje. ÒÓ) (D R O G A ¬¬)

03h46 AM

NOSTALGIA

Tão estúpido, tanto tempo, mas existem dores que permanecem no mesmo lugar. Se viu novamente sentada em uma das carteiras desconfortáveis, batendo o pé quase na mesa do professor, olhando o quadro e respirando giz. Um dia quente, todos falando as mesmas besteiras, o mundo parecia eternamente o mesmo, e ela se sentia uma estátua de sete anos, gelada e cansada. E enquanto contava os segundos para o fim, ouviu a pergunta inconveniente. Sentiu medo de virar - o medo conhecido que derretia o gelo dentro dela - mas ao mesmo tempo tinha a necessidade de ouvir a resposta, com todas as letras, da boca dele. Virou devagar. Se deparou com um quadro já conhecido e sentiu os olhares das pessoas mais próximas a avaliando. Teve vontade de dizer "me deixem em paz, me deixem sofrer em paz" mas precisava de um pouco de compaixão. Continuou olhando, e isso o chamou a atenção. Sorriu antes da resposta, como se fosse o mais óbvio, como se aquilo não a destruísse completamente, como se fossem cúmplices. A resposta. O comentário adicional, desnecessário. E devagar, no meio de um sorriso dolorido, que custou a sair, ela olhou novamente para frente - querendo, mais do que qualquer coisa, não precisar vê-lo mais.

Nada naquele dia sairia errado. Mas bastou duas palavras para colocar a teoria à prova. Podia ter ido embora, vivido na ilusão; mas ela não era assim. Se houvesse algum momento certo, seria esse. Uma dúvida a menos, sua chance ou sua destruição completa, depois de tanta energia desperdiçada. Esperou do lado dele, contando os minutos, respirando o mais fundo que podia - e um segundo depois da recepção, ela soube. Soube pelo olhar. Algo a mais brilhava nos olhos dele, um segredo, uma confissão. Conhecia-o suficientemente bem para saber sem perguntar, e ao olhar para ela teve certeza. Mal precisou de palavras - disse só duas. E por um momento pensou em confessar toda a dor, tudo que havia feito, todas as suas chances desperdiçadas em uma só. Quebrou uma promessa, jogou parte do que era ao vento, esqueceu de si mesma - será que nada disso conta? Mas sabia a resposta. No fim ele já havia feito sua escolha, e ela percebeu desde o primeiro minuto, mas foi incapaz de aceitar. E no momento que todas as verdades confrontaram a única definitiva, teve que fingir a indiferença. Se era ruim com ele, pior seria sem ele, sem sua risada, sem os comentários, sem a cumplicidade. Mas boa parte do que era se escondeu em um lugar escuro, da onde sairia muito tempo depois, como um animal em uma floresta em chamas. Ao voltar para casa se permitiu chorar sozinha, sabendo que havia se deparado com algo da qual não poderia mais fugir. Pela segunda vez, era muito tarde.

Não lembrava de dia pior. Foi a primeira pessoa que viu, foi a única que se preocupou com o seu silêncio. Sentia raiva, mas não sabia de quem - possivelmente de si mesma. Sentiu raiva pela preocupação dele. Sentiu raiva por ele ser quem era, e significar o que significava. Pela primeira mas não última vez, desejou desaparecer para sempre, esquecer de tudo, começar uma vida nova, ainda que isso significasse sacríficios infinitos. Mas se apoiou em uma muleta invisível e foi em frente; parar não era uma opção. Não que fosse forte, mas tinha consciência que ninguém pararia para recolher seus cacos e a colocar de volta ao caminho. Mesmo perdendo muito, e sem saber onde ir, continuou andando em passos grandes e desajeitados. Até o fim.

Era o fim apropriado para uma história sem começo - uma história constituida praticamente de flashes confusos. Se sentia leve e quase podia sentir o peso dos anos saindo dos seus ombros, o final da pior etapa. Várias de suas piores lembranças a abandonaram durante aquelas horas, e viraram pó assim que ela saiu de lá pela última vez. Porém, mesmo finalizando e rasgando todas as páginas de histórias construidas naquele lugar, histórias que merecem desaparecer para sempre, um pedaço de si não conseguiu voltar a ser o que era. É a parte que vai sempre lembrar de que perdeu muito por pouco, que era certo, que especialmente era uma promessa que não foi feita por brincadeira. É a parte que ainda vai sofrer, daqui à dez anos, mesmo que todo o mundo já tenha mudado. É a parte mais frágil que possui, seu ponto fraco, onde as defesas não cumprem seu dever. Chega ao ponto da covardia. Talvez, algum desses dias, ela aprenda a colocar todos esses sentimentos em uma caixinha negra, e a guarde junto com outras, onde não podem mais a atingir. Mas por enquanto as lembranças são multicoloridas e maiores que ela, e lembranças assim não aceitam a escuridão do esquecimento com facilidade. Elas gostam de brilhar e estender seus tentáculos até onde podem. E são essas que a fazem lembrar de toda a história ao ver uma foto estúpida.

- Só um conceito legal pra tudo isso: mimesis. (mas que eu tive um pequeno flash-back vendo a bendita da foto, isso é verdade :/)

01h07 AM

PURO LUXO

É fascinante assistir desfiles de moda - e quanto mais impossíveis de usar no dia-a-dia, mais admiramos as roupas que os estilistas criam com sua (louca) inspiração. Mas moda não é uma palavra que eu fale ou escute no cotidiano. Apesar de me arrumar muito bem cada vez que a ocasião pede, apesar de gostar das tendências das lojas, me permito, na maior parte do tempo, sair de Havaianas e jeans em pleno centro de Curitiba (arrancando alguns comentários de quem se arruma para ir até a padaria) e sinceramente não me importar com isso. Moda é luxo, mas prefiro gastar meu dinheiro naquele sobretudo com uma gola peluda que sempre quis do que em uma calça de cós-alto só porque a Gisele Budchen estava usando no último desfile.

- Pauta da Capricho.

(sim, eu realmente comprei um sobretudo de gola peluda, e eu estava louca para contar para alguém. HAHA) (e só porque não sigo a moda não significa que eu não assista Project Runaway ou America's Next Top Model. Amo ambos, por sinal. Moda não é só luxo - é um monte de barracos divertidos também.)

05h44 PM

SE DINHEIRO COMPRASSE TUDO...

Em 2004 eu li Senhor dos Anéis. Começo com esse fato porque a partir disso minha relação com pessoas que não sabem nem que eu existo mudou. Porque no livro meu favorito era o Aragorn - e isso não seria nada se de repente, ao ver o filme, eu não tivesse caído de amores pelo Viggo Mortensen. Eu sabia que o Viggo não era o Aragorn, que ele não era nem cabeludo e nem moreno, que antes do sucesso ele era um ator de quinta categoria. Mas eu também soube que ele é fotógrafo, e um dia, nas gravações dos filmes, ele sumiu porque foi para o meio de uma floresta na Nova Zelândia para fotografar, e todo mundo se desesperou. Ele também escreve poesias meio malucas. E antes de eu perceber estava procurando cada pequeno fato da vida dele. E depois que me senti satisfeita, passei para o Johnny Depp, e depois para o Hugh Jackman, o Joshua Jackson, o Jeffrey Dean Morgan... (e quem acompanha o blog desde o ínicio se lembra do meu post sobre astros hollywoodianos e meu extremo amor por eles).

E então chegamos aqui. E se eu pudesse gastar quantias absurdas para realizar qualquer sonho estrelado em Hollywood? Antes eu diria facilmente coisas clichês - visitaria o set de Grey's Anatomy, participaria como coadjuvante de CSI, andaria no Pérola Negra com o Johnny Depp, deitaria no gelo com a Kate Winslet, iria para a Irlanda com o Jeffrey Dean Morgan e com o Gerard Butler, andaria de moto com o Zach Braff, andaria de cavalo com o Hugh Jackman, iria em um Academy Awards com o Viggo Mortensen, conversar sobre vegetarianismo com a Jorja Fox... Mas hoje? Acho que hoje eu não faria nada muito absurdo. A verdade é que apesar do meu amor - e não faz diferença se sou a maior fã de todas - eu não sou nada mais do que uma fã. Se dinheiro pudesse comprar amizade, então sim, eu pagaria muito para ser amiga de qualquer um deles. Gostaria de falar com alguns por telefone, de assistir as entrevistas e poder comentá-las depois com eles, de dar aqueles conselhos de amigos em uma escala maior ('você acha que eu deveria fazer esse filme?' 'depende, a Angelina Jolie vai ser o par romântico?')... Mas se não posso ter a amizade deles, prefiro guardar o dinheiro, ir para Los Angeles e me encontrar com algum, dar um abraço e sempre me lembrar do melhor momento da minha vida. (e algum dia nessa vida eu irei conhecer o Johnny Depp, e além do abraço vou poder dizer o quão importante ele foi e continua sendo para mim. <3)

- Pauta para o site do TDB.

(e de todas as crises criativas, essa é a pior. Não que eu me importe muito, daqui a pouco eu volto a escrever como antes. E eu tenho feito muitas coisas interessantes também, na realidade. HE.)

02h22 PM