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(DES)INFORMAÇÃO

Nossos pais possivelmente diriam que sem internet a vida continuaria normal - afinal de contas, eles viveram boa parte da vida deles sem acesso a ela, e é só uma questão de adaptação. Mas e nós, que nascemos no meio da geração virtual, que desde pequenos aprendemos como mexer, o quê não fazer e especialmente todas as vantagens e desvantagens dessa conexão? Primeiramente, teriamos que esquecer nossos amigos virtuais. Depois: quer saber o que "ele" fez no final de semana? Esqueça, não tem como fuçar no orkut de ninguém. Está com saudades mas não sabe o telefone (ou tem vergonha de ligar, vai saber)? Não tem msn. Trabalho da escola? Biblioteca, e pode ir contando com a boa vontade, porque se já é díficil achar algo específico com o acesso à internet, imagine sem. Se algo importante aconteceu com o mundo, as fontes seriam a TV, o jornal e o rádio, que também teriam problemas ao voltarem no antigo sistema de informação. Ou seja: apesar de não muito bem, sobreviveriamos. Mas no momento de tédio, a única coisa a se fazer no computador é jogar paciência (ou campo minado, ou...).

- Pauta pra Capricho ;)

07h02 PM

DEUS EM TUDO (OU TUDO É DEUS)

Quando eu nasci meus pais não me batizaram. Minha mãe tinha uma história de que eu deveria conhecer todas as religiões antes de decidir qual seguir. Sábia mulher. Quando eu era criança, fé e Deus eram duas coisas que eu ouvia durante as reuniões evangélicas que meus pais me levavam (só para não me deixar sozinha em casa), mas eu achava aquelas horas um grande desperdício de tempo. Eu poderia estar dormindo, comendo, inventando a cura do câncer, fazendo cruzamentos genéticos com moscas de frutas... ok, parei. Mas ficar sentada ouvindo palavras incompreensíveis não era útil para nada. E as visitas dos pastores na minha casa eram ainda piores. Pura enrolação.

Até que chegou uma fase em que eu quis uma resposta. Porque o mundo é assim, porque as pessoas estão doentes, porque eu não sou outra pessoa, etc. Como a ciência não responde isso (e sim, antes de procurar na fé eu procurei na ciência, que sempre foi meu grande esclarecedor), fui atrás de explicações sobrenaturais. Procurei com todos, evangélicos, católicos, judeus, muçulmanos, espíritas... Mas a cada explicação que eu ouvia ficava mais confusa. Uns diziam que Deus era isso, outros aquilo, que não se pode fazer isso senão você vai pro inferno, ou não. E sempre me perguntei uma única coisa: como que eles sabem o que está certo? É uma questão de fé, eu sei, mas eu queria uma explicação que me convencesse, algo que me fizesse afirmar com a mesma intensidade daqueles que me diziam que o Deus deles era o Deus de verdade. E como essa explicação não veio, e o mundo continuou sendo o mesmo, as pessoas doentes continuaram doentes, e eu continuei a mesma, passei um bom tempo desiludida - e com a sensação de abandono completo.

Mas um dia, olhando para o céu ou para outra coisa banal, percebi: Deus é só um. Deus é o mesmo para mim, para você, para aquele cara de camiseta azul que está atravessando a rua. Não importa se a sua religião é a X, e a do cara é a Y, e no meu caso eu nem tenho religião - o mesmo serve para todos. Deus é aquele cara que vê as coisas que fazemos aqui embaixo, e que pensa que somos muito burros às vezes, discutindo e nos matando por questões desnecessárias. É aquele que também vê a injustiça do mundo, mas que tem seu próprio modo de lidar com ela - nos deu força o suficiente. Quantas vezes já ouvi alguém dizer que não sabia da onde veio a força no momento de necessidade? Milhares. Existem, é claro, pessoas mais fracas - mas para elas Deus ainda deu a esperança. Ou pelo menos a vontade de partir sem dor. Deus é tudo, e tudo é Deus - o frio, o calor, o sol naquele dia de praia, a lua naquela noite especial, o pôr-do-sol colorido, a vontade de cada um de nós de sermos melhores, o amor, a amizade, a gratidão. Só o fato se estarmos aqui, de respirarmos, isso também é um modo de Deus dizer que não estamos sozinhos, que somos como todos, que é hora de cumprirmos o nosso objetivo e poder algum dia ir para perto dele sabendo que tudo deu certo, ou que pelo menos criamos uma chance de um mundo melhor. Porque até mesmo os cientistas sempre chegam em um ponto crucial, onde eles simplesmente levantam os ombros, largam o que estão segurando e dizem: "não tem explicação, só Deus."

- pauta do site do TDB.

E beijo em todo mundo que agora eu tenho que ir pro Expoente para duas aulas com meu professor favorito da melhor matéria do mundo, e outras duas com a segunda melhor matéria do mundo. <3

06h21 PM

ONE IN A MILLION

- Dizem que coisas boas levam tempo,
Mas coisas maravilhosas acontecem em um piscar de olhos.

Sou a pessoa inconstante mais constante que conheço. Sei exatamente onde, como e porque penso certas coisas, sei como lidar com elas e sei acalmar quem convive comigo, e assim evito crises causadas por minhas crises. Por isso mesmo sei que escrever é mais simples quando sinto que algo está errado - e nesses momentos em que as coisas boas ofuscam as más como um eclipse solar raro, sou praticamente incapaz de juntar palavras e criar sentenças. Escrever é terapia, é liberar a tristeza de modo metafórico; meus posts mais bonitos, assim como aqueles desabafos ridicularmente compridos e pessoais, vieram dos meus piores momentos. Do que posso falar quando estou feliz?

É algo ridículo, mas às vezes esperar já é uma boa parte do caminho. Me perguntem sobre o ano passado - vou dizer que estava maluca, mas ao mesmo tempo extremamente consciente de que uma mudança estava acontecendo, bem sutil. Não acordei me sentindo de repente uma diva, como se o mundo fosse meu. Vi uma mudança de olhares e pensamentos iniciados, interrompidos e reiniciados uma vez mais. Se hoje vejo - e não só eu, pelo visto - que meu foco estava errado, a verdade é que eu realmente precisava amadurecer, entender aonde estava o erro e a partir dele encontrar a soloução. Quando entramos nesse ano, foi preciso mais um erro - que era uma aparente solução - para que minha visão estivesse clara (e sem miopia, por favor). É tão simples como um céu claro depois da chuva (exatamente :D), sem complexos, sem problemas, sem nenhum pânico causado pela ansiedade e sem racionalização. E de alguma maneira eu já sentia o quê ia acontecer, então foi natural. E se quer saber, é muito engraçado ver como meia hora se transforma no melhor momento do meu dia; que de repente meus pensamentos se vêem invadidos por uma ou duas coisas que me fazem rir; que só dizer em voz alta já soa como incrivelmente certo; e que especialmente, não existe nenhuma dúvida e eu não sei como - sinceramente ninguém sabe. Só posso acreditar que deva realmente existir coisas que literalmente se sobreponham à minha mente tão acostumada à análise de tudo.

Que bom que ele surgiu na minha vida. Sério.

(e que bom que existem professores maravilhosos no Expoente que me fazem dar risada mesmo no sábado - mas especialmente na quarta e na quinta - e que bom que apesar de algumas crises musculares, ainda assim eu tenha o jazz. E se não atualizo como deveria, é porque estou ocupada; mas prometo voltar à fazer pelo menos as pautas do TDB :/)

06h31 PM

THAT WAS THEN

... and this is now.

Com 14 anos, eu não era ninguém. Não tinha experiências ou vida social e não tinha nem um pingo de personalidade própria que tivesse nascido espontâneamente de mim. Ainda que me convencesse que eu era diferente e isso me faria alguém interessante para se conviver, a verdade era uma só - verdade que só vejo hoje olhando as fotos e lendo o que eu escrevia. Bem, mas se eu não ia exatamente longe pessoalmente, sentada na frente de um monitor as coisas mudavam um pouco. Eu continuava sendo a garota tímida sem personalidade, mas pelo menos meus dedos só passavam pelo teclado, do modo mais impessoal (e sem raciocínio) possível. Nisso conheci uma pessoa que morava absurdamente longe de mim (o que me fazia sentir quase segura por não ser exatamente uma Brastemp um modelo de perfeição), e que já tinha seus contatos muito bem estabelecidos com a pessoa que eu mais gostava de conversar (e para quem eu fingia ter uma bela vida). Fui construindo laços com ele, enquanto fortalecia os que eu tinha com ela, e de repente nós três juntos nos tornamos sinônimo de boas conversas e muitas internas.

Se eu pudesse voltar para aquele tempo, eu me daria um tapa na cabeça e mandaria desligar a droga do computador e fazer exercícios. Depois disso (enquanto minha eu do passado estivesse correndo em volta do quarteirão) eu explicaria o tamanho do erro que é se meter entre um casal, não interessa se existe convivência ou não. É um daqueles erros capitais, especialmente tentar criar (depois de uma relação construída) uma amizade com aquele que você não tem intimidade, somente e exclusivamente porque você é amigo da outra pessoa. Na verdade o problema não é nem a amizade, mas sim tentar criar uma relação nos mesmos moldes da que você já tem. Simplificando, eu quis ser melhor amiga do namorado da minha melhor amiga. E nisso criei para ele uma conexão aparentemente tão forte quanto eu tinha com ela, o que foi um erro, porque se eu tivesse só um lugar no meu barquinho no meio do dilúvio, o lugar teria sido dela sem nem piscar (na idéia, é claro, de que eu já tivesse salvado todo mundo que conheço e ainda ter sobrado um lugar).

Eu sempre soube, desde o começo, que alguma hora tudo iria acabar estourando, fosse por um motivo ou outro. Mas deixei ir, não adiantava dizer nada porque eu supostamente achava que o fim iria ser desagradável. Simplesmente segui o fluxo, e na verdade eu previ exatamente os motivos para terminar - e juro, juro que avisei para ela - mas no fim já era muito tarde. Eu até teria tomado uma posição neutra se isso existisse, aquela coisa de 'briguem mas voltem para mim depois', só que não deu certo. Porque ele pensou (baseado no meu comportamento) que eu iria tomar o lado dele na hora da necessidade, e a verdade é que eu continuei fiel à ela do primeiro ao último minuto. Eu não menti, só omiti (o que é tão errado quanto, mas nesse caso o problema não era meu). E ele brigou comigo, para uns meses depois ela também brigar, baseada na idéia de que - pasmem - eu quis separar os dois.

No fim eu fiquei ali, sozinha e perdida, e resolvi que era hora de esquecer daquilo e ir para frente (depois, é claro, de ser espetada como um boneco de voodoo uma centena de vezes). Fui em frente então, e depois de um bom tempo me encontrei - as coisas que eu gostava, os amigos, as mudanças que eu deveria fazer para ser alguém um pouco melhor. Cresci, amadureci, entendi melhor tudo o que havia acontecido e então coloquei tudo no arquivo mental de antigas situações que devem ser sempre lembradas superficialmente. Mas qual foi a surpresa que tenho - e foi uma surpresa tão grande que até me afoguei - ao ver ele - alguém que eu já tinha desisitido de voltar a conversar - na página dela. Precisei de um tempo para lembrar exatamente o que tinha acontecido, mas de repente me senti tão... velha e perdida, HAHA. Claro que não como se tivessem passado 20 anos e essas coisas, mas na idéia de que eu pago por atos cometidos em um tempo em que eu não sabia nada sobre a vida ou sobre mim mesma. Não que eu saiba tanta coisa assim agora, mas não existe nenhum parâmetro de comparação possível com a Cindy de 14, que tinha acabado de entrar no Ensino Médio, cuja vida se limitava à uns layouts no Paint Shop e a Harry Potter com a Cindy de 17, que terminou o colégio, que vai se matar nesse ano para entrar na Federal, que sai, tem amigos, tem suas diversões (sempre meio anormais, é verdade, mas tem). Sabe, sem comparação mesmo. Tem um abismo entre as duas; e eu só estou curiosa para ver exatamente onde essas diferenças vão se encaixar naquela velha idéia que ainda prevalece (por falta de outras mais atuais, é claro).

(e para estado civil e outras informações interessantes, orkut. HAHA. Só não garanto que adiciono, porque dia desses passei umas horas excluindo os desconhecidos; mas se você for uma pessoa legal que me lê (essa frase é tão viciante) e me avisar disso, eu possivelmente clicarei no 'yes'. Oks? :D)

11h55 PM