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SOBRE 2008

Comecei o ano com uma sensação estranha. Passei as primeiras semanas achando que algo ia dar errado. Me disseram que era porque eu passei 11 anos da minha vida no mesmo lugar, a mesma rotina, a mesma idéia: acabar com aquilo. E agora que acabou tenho que crescer, ainda que a idéia não seja a mais agradável. Eu acho que tem mais a ver com querer crescer, querer evoluir, querer abraçar o mundo inteiro e não saber como. I want to change the world, instead I sleep, como diz a música¹. É querer ir muito além do que eu ia, é como esperar emagrecer trinta quilos em um mês, bem, com saúde e sem exercícios (metáfora boa pra pessoa que só voltou pra dieta agora, meses depois de sacanear bonito com ela). Desde o primeiro minuto de 2008 eu quis colocar tudo em prática e ao mesmo tempo, esperando que naquele momento mágico que 11:59 virou 00:00 alguma força estranha fizesse com que tudo desse certo.

Logo eu, que nunca gostei de ano novo.

Eu gostei de 2007. Me fez crescer como uma garota de 17 anos. Foi minha mudança e meu jeito de olhar, mas agradeço também a todo mundo que felizmente cruzou meu caminho, minha sala, as pimpoias, o pessoal (que estou morrendo de saudade <3) da academia. Tudo que passei a admirar, especialmente no fim do ano. Em todos os lugares que fui e as coisas novas que passei. Foi tudo muito bom, especialmente ver que não sou tão distante daquela espécie que se proclama adolescente, já que sempre me senti uma pessoa de 30 em um corpo de 10. Mas pensei que em 2008 tudo iria ter que ser mil vezes melhor. E quis e apostei, de coração, que era assim que ia funcionar, à partir de 00:01 do dia 01/01/2008.

Porém o que se seguiu foi uma letargia díficil de superar. Tudo parecia surreal, como se eu estivesse vivendo a vida de outra pessoa. Foram duas semanas ruins. Os dias se arrastaram, as horas se arrastaram, os planos foram sendo largados bem rápido dentro dos cadernos que guardei, as saídas estavam forçadas, eu vi filmes e era incapaz de me divertir com eles, incapaz de me divertir vendo o Jeffrey, nada de bom na TV, nada de bom em lugar nenhum. Estava parcialmente capaz de escrever aqui, mas só. Nem pro Youtube eu estava ligando mais. Era só mais um dia, e enquanto exclamavam 'nossa, já é quarta-feira!' eu dizia 'ainda?'. Parecia o começo do ano passado, os primeiros dias de aula, a sensação de que aquilo não deveria, nem de longe, estar acontecendo. Que tinha algum parafuso solto, alguma coisa que se perdeu no meio do caminho e que era extremamente necessária para o funcionamento geral. Foram duas semanas, mas comento isso porque foi uma sensação forte o suficiente para pensar que algo deveria estar muito errado comigo - e eu jamais havia pensado isso antes. Dezessete anos e nunca pensei que se havia algo errado, esse algo era eu mesma. Nunca.

Mas as coisas começaram à ficar mais claras, com a ajuda de mensagens de texto (thankyou,pineapple !<3), conversas pelo msn (L) e pelo orkut. É como se a névoa estranha que me impedia de raciocinar decentemente tivesse ido embora. E de repente tudo fez mais sentido. 2008 é sim o ano de mudança e novas coisas, mesmo que eu tenha que crescer, enfrentar e me ferrar uma dúzia de vezes indo atrás do sonho de abraçar o mundo todo, ter ele e assim ele se encaixar à mim e não o contrário. Mesmo assim é meu ano, o ano da Janine, o ano das poias, o ano do segredo, o ano dos 18 anos, o ano em que as coisas que a gente queria ano passado vão se realizar - não porque estamos esperando as coisas virem sem esforço, mas exatamente porque estamos fazendo com que venham, mesmo devagar (e sempre). É o ano de todos os parafusos fazerem a máquina inteira funcionar. É janeiro e não posso contar com os dedos da mão tudo o que já aconteceu de bom.

E esse é o melhor. Ainda é janeiro. E que venham mais onze meses maravilhosos. <3

 

 

¹ Keep Breathing, do soundtrack de Grey's Anatomy. Nunca tinha ouvi a música inteira, e de repente quando estou voltando de Morretes quinta, pensando 'pronto, morri' enquanto olhava a Estrada da Graciosa, molhada e perigosa, acabei ouvindo ela e amei essa parte. Só não me pergunte de quem é, sou incapaz de lembrar.

² Claro que não posso deixar de comentar sobre o Heath Ledger, sendo que a notícia realmente me pegou (pegou todo mundo, na realidade) de surpresa. Eu não sabia o quanto ele era importante até aquele momento. Hoje estava lendo a retrospectiva da Época e juro que só não chorei porque respirei bem fundo e me concentrei para continuar bem. Sinto muito por ele, e especialmente pelos pais, pela Michelle e pela Matilda, que vai crescer sem o pai, e por todos os amigos. As pessoas morrem, mas engraçado como esquecemos disso na maior parte do tempo.

³ Três pequenas coisas. Me surpreendi com a habilidade do Stephen King de fazer um personagem tão real que quase dá de tocar, como o Johnny em 'Zona Morta'. Esse foi um dos melhores livros que já li, de longe. Segunda coisa, domingo, meio-dia, Every Moment Counts na Sony, Jeffrey, thanks! (: E por fim, domingo, SAG Awards. Fico agradecida que o WGA tenha apoiado o SAG no evento, me deixa suficientemente contente, quase a ponto de esquecer que não teve Golden Globe esse ano. As únicas coisas que me deixariam mais contente seriam se a Jorja voltasse para CSI (muito possível), a Katherine se separasse (ela acabou de casar, conclua como quiser), o Jeffrey largasse a Mary-Louise Parker (ele falou à três dias atrás COMO está feliz com ela) e de fato o Denny tivesse um irmão gêmeo chamado Lenny em Grey's (impossível, claro). --' Mas não sou inteiramente pessimista, algo pelo menos é verdade.

01h31 AM

FATOS

Sou inconstante. Isso não muda e não quero que mude. Gosto que minha única constância seja ser inconstante. E gosto de saber que o único motivo para ser assim é porque crio em minha volta um muro de proteção que me impede de cair de cabeça quando as pessoas param de ser o que elas supostamente deveriam ser. Claro que não é uma proteção perfeitamente segura, à prova de enganos e mágoas, mas impede que as pessoas me machuquem todo o tempo com suas atitudes rudes. Faz com que eu seja rude de vez em quando para dar uma acalmada na minha personalidade nervosa que se esconde atrás da suposta calma. Faz com que eu não ache as pessoas tão chatas e ainda tenha um pouco de fé na humanidade. Só não mudo a cor do cabelo para acompanhar minhas decisões repentinas porque tenho preguiça de retocar.

Acredito em amor. Sou romântica, sou boba, e toda a minha maturidade simplesmente desaparece nesses momentos frágeis. Não consigo raciocinar direito, e isso sim me deixa nos nervos. Amor nos faz bobos e eu já não gosto de usar meios de me entorpecer porque não gosto de estar fora da minha mente. Amor é uma confusão que não passa. É esquecer por um momento porque meus DVDs com todos os momentos do Denny Duquette são importantes. É esquecer o que eu estava lendo. É pensar como é maravilhoso estar perto do outro, falando com o outro, passando dias inteiros, tardes inteiras, noites e madrugadas falando bobagem. Tenho medo de tudo isso. E ao mesmo tempo eu espero alguém que entenda o amor do mesmo jeito (alguém que definitivamente não conheci até esse exato momento) e que queira, de vez em quando, me lembrar de ouvir o soundtrack de P.S. I Love You porque eu definitivamente terei esquecido.

Odeio estar frágil. Algumas pessoas são capazes de entrar no meu coração além do que a maioria consegue, e para essas eu sou eu mesma todo o tempo. Elas não tem idéia o quão longe chegaram, porque meu orgulho e meu senso de proteção me impede de demonstrar a importância delas. Tenho medo de que quando elas descobrirem, acabem dilacerando o que sinto pelo simples prazer de se sentirem melhores às minhas custas. E meu julgamento de caráter não está tão errado. Das cinco vezes que aconteceu de um jeito completo, cruel, mesquinho inclusive, somente em um caso a culpa foi somente minha, totalmente minha. E me permiti estar muito mal, porque dali tive que aprender e abrir os olhos para algo que contradiz o que acredito. Em outra vez, a realidade é que não sabiam o que estava acontecendo. Não teve confronto, mas me senti exposta e julgada. Não é minha culpa. Quero apagar isso, se me permitem. E das três vezes restantes tudo o que aprendi é não confiar em ninguém tão cegamente à ponto de esquecer quem sou. E por mais que faça muito tempo continua aqui guardado, ainda que eu espere que não saia jamais, dê uma voltinha e destrua o pouco de confiança restante como um furacão em uma moita.

E as pessoas me deixam nervosa. Momentos me deixam nervosa. Demonstrações de afeto ainda que mínimas fazem com que minhas mãos fiquem geladas e eu me mexa demais, ria demais, fale demais. Mas não adianta, porque eu recentemente descobri que, se vindo das pessoas certas, eu amo cada segundo e queriam que se repetissem para sempre, ainda que eu pareça uma maluca com mãos congelantes <3

12h20 AM

SOBRE CELEBRIDADES E A LETRA J (02)

(...) Mas como tudo esfria, meu amor pelo Josh foi minguando e esfriando de um jeito natural. De repente não era tão interessante e divertido procurar notícias e fui largando mão aos pouquinhos e conhecendo novas coisas - entre elas aquele sexteto mexicano que hoje meirritaprofundamente! não tem tanto espaço na minha vida, mas que abriu meu coração e mente para a entrada do terceiro J, o J mais caliente (6) da lista: señor Jaime Camil.

Ainda que hoje eu não consiga olhar fotos de La Fea sem simplesmente cair na gargalhada e pensar que eu deveria estar dando um tapa na goiaba meio doidinha, até hoje penso que o Jaime é o cara mais gostoso que eu já admirei, de longe. *____* Tudo nele adquiria um sentido mais físico. Não segui o caminho normal de admiração porque cansei daquele caminho, já tinha ido por ele mais de uma dezena de vezes. Sem falar que eu estava diferente, então o jeito de lidar com ele também deveria ser diferente senão não faria sentido. Me foquei no que ele significava pra mim e não no que os outros deveriam pensar que ele significava, e juntamente com essas idéias, encontrei o foro de LFMB, onde passei as madrugadas mais divertidas do mundo. Vi ele no chat, assisti os filmes, tinha mais de mil fotos dele sozinho e com a Angie (de novo, assunto de outros posts!), vi vídeos, fiz manipulações, tudo que eu sabia fazer. Com o Jaime as coisas foram simples e divertidas, porque depois do Josh eu comecei à achar que deveria ser minha obrigação gostar de alguma coisa. Grande erro, não é. O poço só tem graça quando a gente é puxado sem querer. Pular nele sem ter certeza é perder tempo e parecer maluco. Foi o que eu fiz com o maldito bendito sexteto. Pulei sem ter certeza do que estava fazendo, baseada nos outros, e tudo o que fiz foi perder um tempo e um dinheiro desgraçado. Podia ter tido uma relação mais saudável e hoje eu não olharia com tanta raiva e arrependimento. Sei que isso deve chocar muita gente, mas eu me arrependo sim, de tudo o que fiz e deixei de fazer por eles, especialmente olhando a situação hoje em dia. Eles são uma sombra do que eram, e that's it. Mas o assunto não é eles, enfim.

O assunto é que eu me diverti com o Jaime, mas quando a novela acabou no SBT, a falta dele fez diminuir meu ânimo de continuar sabendo. Daí tirei uma bela lição: que preciso estar em constante contato, ou as coisas não funcionam mesmo. Como o tempo que eu passei sem TVA: eu sabia que ia voltar, e isso me fazia continuar procurando sobre Dawson's e sobre o Josh. Quando vi todas as temporadas, o interesse diminuiu. Quando La Fea acabou, o Jaime acabou junto (tudo bem que o fato dele ser um galinha de última categoria e só namorar loirinhas vadias também ajudou pro afastamento, porque até eu tenho um limite e olha que eu posso ser paciente e realmente permisiva). Não tenho mágoas dele, só acho que ele não é tão interessante à ponto de continuar gastando tanto tempo - especialmente longe da Angelica. Pf. ;/

E então passei um tempo longo, muito longo, sem nada. Tive um momento CSI ali perdido, e continuo admirando (e quero de volta na Sony! Ainda que agora eu comece à achar que a AXN tem uns seriados de criminalistas que prestam *boba que chorou no episódio de Criminal Minds hoje, abafa*) até porque descobri minha preferência por seriados/realitys shows inteligentes que me ensinem coisas, como de peritos, policiais ou médicos, haha. Mas então, em um desses dias mês passado, eu estava assistindo Grey's Anatomy e me deparei com um episódio que nunca tinha visto: Some Kind of a Miracle. E isso trouxe meu J atual, meu J mané chato que tem o sorriso mais lindo do mundo a risada mais engraçada a voz mais sexy e as idéias mais idiotas e um gosto realmente realmente² bom: Jeffrey Dean Morgan. <3

Como fazia muito tempo que eu não experimentava a sensação de admirar alguém, acho que com o Jeff está tudo triplicado. A vontade de ser melhor. De continuar ali no poço que nem a Samara e não sair never more. De ser admirada, escutada. De rir das besteiras que ele fala e me revoltar com o fato dele estar namorando (na verdade, assim. Se a Katie Heigl estivesse solteira, eu surtaria. Mas não é o caso, ela vai acabar casando, então já era). Sei lá. Sinto vontade de coisas simples, de escrever sobre ele, de fazer meus desenhos primários cujo cabelo e mãos sempre saem estranhas. Sinto algo bem singular traduzindo as coisas que ele fala. É como trazer ele pra mais perto. Pareço uma criança conversando com um pôster grudado na parede, mas com a diferença que respirar fundo e olhar pra uma das fotos dele que eu tenho no meu quadro magnético me faz ter mais paciência com o futuro. Daí eu penso que tudo vai dar certo esse ano que eu estou sozinha e confusa do que quero ou pra onde eu vou. Olhar pra foto dele me inspira até pra procurar emprego, haha (por isso já fiz um papel de parede no computador, assim olho pra ele o tempo todo e uma hora tomo vergonha na cara. ;D). Pensar nele me faz ter planos para o futuro mais distante, e fazia tanto tempo que eu não tinha esses planos. Eu tinha perdido a capacidade de sonhar mais alto, e minha habilidade de escrever andava atrofiada, então ele me ajudou nisso também. Tem muito mais coisas que isso, mas daí começa à virar pessoal e eu já fui muito longe aqui.

No fim, como se pode reparar, eu tenho problemas com letras J. Os quatro até hoje foram os que mais mudaram o que eu penso de um modo bom, ainda estando longe. As pessoas chatas, normais, as que acham que não precisam de estímulo por terem o suficiente na maravilhosa vida delas: aah, tadinhas. Nunca terão sensibilidade para sentir a maravilhosa sensação de ter um degrau firme como uma rocha. Porque quem admiramos é importante, mas o que sentimos por elas e o que esses sentimentos nos fazem é muito maior, muito mesmo. E mais do que ter o outro, isso é ter à si mesmo.

- E como eu tinha escrito todo o post pra comemorar o Golden Globe que foi CANCELADO por causa do bendito writer's strike (AAAH :/), vou só fazer o que o Ryan Seacrest falou no E! News: fique em casa no domingo. :@ Séries fúteis e divertidas ao invés de tapete vermelho e cobertura ao vivo da coletiva de imprensa divertidííssima de uma hora que vai anunciar os vencedores. :/
(É tão errado assim querer todos aqueles vestidos perfeitos, aqueles flashes, aquelas entrevistas, cinema & tv juntos, todas as séries preferidas junto com os atores preferidos mesmo que não concorrendo à nada e todos amiguinhos na mesa comendo e rindo? Ahn, ahn? Thanks ABC, NBC, CBS e etc. por estragar a MELHOR CERIMÔNIA DO ANO. Obrigada! :#)

09h35 PM

SOBRE CELEBRIDADES E A LETRA J (01)

Quando o blog era no Weblogger, quando o MSN não tinha nick colorido, quando era chique e RARO ter Fotolog.net (você tinha que esperar até uma da manhã para fazer), quando Photoshop era item de luxo, quando música era no CD e saber gravar significava que você era uma pessoa MUITO inteligente, quando Youtube, podcasts, Live Journal, Fanlisting, FTP, brushes & textures não passavam de palavras bizarras e sem tradução, celebridades não significavam nada. Sei lá o que eu pensava dessas pessoas. Se me mostrassem um mapa mundi eu saberia apontar os Estados Unidos, graças ao exagero de sua prepotência (ou a prepotência de seu exagero). Mas eu não saberia apontar mais nada. New York era a Estátua da Liberdade, Vegas era os cassinos que eu via nos filmes trash da Sessão da Tarde, Hollywood tinha um letreiro - como tudo naquele país, exagerado e gigantesco. Carolina do Sul deveria ser a irmã da Carolina do Norte e ambas deveriam morar em Hollywood. Nevada é que nevou demais. E se falassem Seattle eu responderia "saúde".

No meio da minha ignorância inocente, me apresentaram ao Johnny Depp. Admito, não nego: da primeira vez que vi Piratas do Caribe pensei "que porcaria!". Não que seja uma porcaria, mas meu senso era simples e minha definição de legal era ainda mais simplória: não tinha nada à ver com filmes de ação. Ou filmes de piratas. Ou filmes que os atores principais passassem muito tempo sujos, afinal beleza era estar limpinho, o perfume importado de ator americano saindo pela TV. E com certeza não tinha nada à ver com espadas. Minha exceção era Senhor dos Anéis, mas porque eu li primeiro, e na imaginação o Aragorn estaria sempre lindo e limpinho, e a espada era de borracha. Ou era um sabre de luz, sempre curti sabres de luz. E no fundo aquilo não era ação, era romance - Aragorn & Cindy para sempre. Ainda sinto um arrepio quando penso nisso. Ok.

Como tudo, sempre, eu precisei dar outra chance para Piratas do Caribe. As coisas normalmente só funcionam da segunda vez comigo (não quero comentários sobre isso). E de repente, vi algo que não estava ali da primeira vez. É a sensação de estar sendo arrastada por algo invisível e ainda assim você quer ser arrastada porque deve ter algo bom lá. Não é algo que dá de sentir literalmente, não é físico - é um poço psicológico. Um grande e fundo poço psicológico. Nem meus amores reais de todos esses 17 anos me carregaram para poços psicológicos, e é isso que deve me atrair tanto em relação à amores platônicos por pessoas que não irei conhecer tão facilmente. Eles estão ali, perto, e quando você realmente coloca o pé no chão vê o quão longe estão. E isso dá mais força aos seus sonhos e sua vontade de ser alguém suficientemente bom à ponto dessas pessoas que você admira começarem à admirar você. Pelo menos para mim funciona assim, e quanto mais fundo o poço de admiração e amor, menos eu quero sair e mais eu me esforço para ser forte e merecedora de estar ali de verdade.

De repente, was all about Johnny. Tudo. Entrei no computador, imprimi tudo que encontrei - sendo que meu inglês era deplorável e eu não sabia a diferença entre three e tree, o que obviamente diminuiu meu poder de informação - e lá fui eu virar uma profunda conhecedora da vida do sr. Depp. Pulei de cabeça pela primeira vez e nem liguei. Procurei, vi, revi e virei de cabeça para baixo todos os sites em português, todas as notícias que paravam na minha mão, todas as fotos. Eu nem sabia o que estava fazendo, só fiz, era tudo muito intuitivo e bem que dizem que analisar demais não leva à nada. Fiz tudo porque achava que valia à pena. Peguei a lista de todos os filmes dele e ia religiosamente na locadora uma vez por semana, pegar um ou dois filmes que ainda não tinha visto - que bom que a lista é imensa - mais Piratas. Juro que devo ter locado Piratas umas trinta vezes, no mínimo. Decorei as falas, as cenas, e sempre que eu via era como a primeira vez, do mesmo jeito. O auge foi a primeira estréia do cinema da minha vida: Finding Neverland. Aquele dia eu senti que tudo tinha valido à pena, parecia simplesmente perfeito, o melhor agradecimento possível.

Mas como nem tudo pode ser perfeito, eu briguei com aquela que tinha me mostrado o Johnny e que me emprestava ele quando sua vida amorosa estava indo bem (beijoscah:*) e de repente todo aquele amor que eu reservava para ele virou um ódio repentino. Eu não podia ouvir Johnny Depp, dava vontade de esganar. E um dia sem o que fazer eu liguei a TV na Sony, logo eu que nunca fui fã de seriados (e eu era fã de algo, afinal?) e vi o meu primeiro episódio de Dawson's Creek. Lembro até hoje: Full Moon Rising. E era dia de lua cheia. Não sei como as coisas podiam encaixar mais. Fiquei louca pelo episódio, mas não o suficiente para acompanhar com regularidade, até que decidi que valia à pena - e isso só no fim da segunda temporada (demorei para me convencer que podia ser legal). E comecei à acompanhar a terceira temporada desde o comecinho, e de repente, YAH !, o segundo J surgiu: Joshua Jackson. (L)

Ele era o Pacey, e eu não tinha uma boa impressão dele... até aquela primeira cena com a Joey no pier. Aquela cena me pegou. Foi o primeiro casal da ficção que eu realmente apoiei (o que me dá um sentimento diferente, tema de próximos posts !), mas especialmente eu fiquei fascinada pelo Joshua. Os olhos azuis, a risada, ah. E especialmente porque eu descobri ele sozinha, e isso me dava uma sensação grande de segurança e propriedade. Me joguei no poço mental de novo, mais ciente do que fazia. Segui aqueles passos básicos que tinha aprendido com o Johnny. E fui mais além, dei um jeito de comprar o box da quarta temporada (quando que eu iria gastar tanto dinheiro em DVDs huh? E pensar que hoje eu quero comprar todos que vejo na frente.) e eu acompanhava TODOS os episódios religiosamente, gravava, fazia maratona dos melhores. Tudo para decorar as falas do Pacey, as caras do Josh e as manias dele. Quando passei dois meses sem TV à cabo quase morri de saudades, tinha surtos lendo spoilers. Fiz um esforço do caramba pra traduzir transcripts. Foi por culpa dele que eu comecei à entender inglês melhor, e descobri que seriados são professores melhores que livros (tanto que sei umas boas dezenas de expressões médicas e outras ótimas de criminalistas, HAHA). Quando minha TV à cabo voltou, fiquei dando pulinhos. Quando fui no cinema ver Cursed, dei um jeito de ir sozinha pra poder fazer barulhinhos irritantes sozinha toda à vez que ele aparecia - ainda que ele seja nesse filme um lobisomem e ele morra no fim, o que partiu meu coração. Canadá virou país ideal, Vancouver virou a cidade dos sonhos e Wilmington & Carolina do Norte significaram Capeside - e um lugar que eu vou, com certeza, quando eu visitar os Estados Unidos. E ainda guardo o endereço do café onde o elenco costumava ir, porque eu vou lá, tenha certeza. (y)

(continua !)

04h55 PM

CINDYRELLA/UMBRELLA Ê Ê Ê (8)

O trocadilho é intencional, e desde que a música (que todo mundo conhece e já ouviu vezes demais :D) foi lançada, sempre que ouço fico cantando "you can be my Cindyrella, ê ê ê". Também tem aquele episódio de Dawson's Creek que eu tenho uma certa mania: Cinderella Story. Desde pequena eu sei (graças à minha mania de ler qualquer coisa que caia na minha frente, seja um livro de significado de nomes ou uma revista Playboy que encontrei escondida dentro do armário ;D) que Cindy é diminutivo de Cinderella, gata borralheira, mas ninguém acredita nisso. Já entendi que não vai aparecer um príncipe atrás de mim porque eu perdi meu All Star de ovelhinha do meio da rua. Saquei, já saquei. Mas me deixem sonhar um pouco.

Meu conto de fadas favorito é A Bela e a Fera. Só porque eu achava que a Bela era a morena mais inteligente que eu já tinha visto e porque eu queria (e continuo querendo!) a biblioteca da Fera. Gosto de A Bela e a Fera porque é inteligente. E odeio o final porque acho aquele príncipe realmente feio. Sou a única garota do mundo que preferia a Fera, com todos aqueles cabelos e um passado obscuro do que o príncipe que parecia ter saído da mesma forma que todos os outros príncipes dos outros contos.

No fim eu tenho uma preferência por problemas do passado. A Branca de Neve ia ser morta porque era bonita. Fútil. E sem falar que ela tinha sete caras baixinhos que gostavam dela. A Cinderela sofria com a madrasta e as irmãs. E? Podia ser uma experiência para o futuro, e além disso todo o esforço foi recompensado pelos padrinhos mágicos, digo, pela madrinha. A Bela Adormecida? Pf! Ela só dormiu e dormiu, nem precisou de esforçar. O príncipe deve ter pensado pelo caminho, enquanto passava por espinhos e maldições, se era aquilo mesmo que ele queria. E isso só para citar três.

Já a Fera sofreu com o que ele escolheu no passado. Ele não mudou quando podia e graças à isso sofreu e sofreu, até a Bela, com a alma pura e a inteligência, poder mostrar à ele que as coisas podiam ser diferentes - se ele se esforçasse. A Bela foi uma segunda chance para a Fera. É uma história de segundas chances - que nem quando minha mãe perguntou o significado de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e eu tive que pensar e pensar pra sair só com essa conclusão. A Clem e o Joel fizeram tudo errado, mas tiveram uma nova chance mesmo quando tudo parecia perdido. E esse é o que faz o filme ser bom.

Tá, e tudo isso para? Bem, para dizer que mesmo que meu nome me remeta à contos de fadas (e que ninguém acredite, façam o favor de pesquisar! HAHA), no fim tudo o que eu penso não é como seria legal uma madrinha aparecer, transformar uma maçã em uma Ferrari vermelha, o Tobby em um Tinkerbell (Paris, não brinquem de cultura inútil comigo ;D) e façam meu vestido da formatura se transformar naquele que eu experimentei uma vez, longo, esvoaçante e cor de champagne. No fim eu queria ser a Fera e ter uma nova chance (dispenso os cabelos na cara e as outras coisas chatas de ser um monstro em um castelo - como se secar depois do banho ou os cabelos na comida :#), ou ser a Bela e dar essa chance para alguém. *-*

E, agora sendo menos filosófica (ahá, ahá BLERG), alguém pega a terceira temporada de Grey's para mim na locadora? *____* Valeu, OASKOSAKOSAK

09h23 PM