
AND THE TRUTH IS...
Não reconhecia a atração pela chuva que fustigava a janela. Fazia muito tempo que era só uma casca vazia desprovida de sentimentos, porém os pingos que batiam no vidro criavam um calor incomum em algum lugar perto do coração. Fazia uma semana do seu destino na vitrine, e a chuva não havia dado trégua desde então. Lutava para não procurá-lo em volta, mas sentia seu perfume, sempre o mesmo, e ouvia sua voz levemente ácida, com um toque de ironia mas com um sorriso no rosto. Não passou mais em frente da loja de eletrônicos, desviava o caminho ainda que aquele fosse o mais curto para seu trabalho. Toda vez que andava pelas ruas adjacentes se sentia estúpida por tal atitude. Qual era o problema, afinal, se encontrasse com ele? Ela tinha se portado tão bem com sua presença repentina. Sabendo que eles estavam na mesma cidade, já estava preparada. Porém ela mesmo sabia porque evitava os lugares onde supostamente o encontraria: não queria esperanças. Todo o tempo sem ele tinha sido exageradamente doloroso, e sentia que sua presença, ver seu rosto, estar tão perto... Isso a destruiria, de um modo impossível de ser recuperado. Ela virou as costas para a janela, suspirando. Correto seria sair de Paris, ir para qualquer outro lugar do mundo, desde que longe dele. Mas ela sabia que seu coração não a deixaria fazer isso.
Do outro lado da cidade, ele entrava em casa pingando. A chuva inconveniente impedia suas saídas pela cidade, mas ele suspeitava que não teria humor para isso. Passava todos os dias pelas pequenas ruas em volta da loja que transmitia o jogo do Brasil uma semana antes. Porém nunca conseguia encontrá-la. Talvez porque nas horas que ele conseguia sair do hospital ela já estivesse em casa, graças aos plantões exaustivos da madrugada. Ou ela estava simplesmente evitando um segundo encontro eventual, ou ainda pior, tivesse ido embora por não suportar a idéia de estarem tão próximos. Ele se arrependia de ter se afastado, mas sabia que ela também precisava daquele tempo. Eles precisavam disso. Porém, sem encontrá-la de novo, como explicaria isso? Ele voltou para a rua desejando que isto lhe desse uma idéia.
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O sol já estava sumindo no horizonte. O primeiro dia sem chuva, e ela se sentia extremamente infeliz por estar parada na frente de um hospital da cidade. Seu chefe havia passado mal no escritório, e pediu para ela levá-lo até o hospital. Era possivelmente uma intoxicação com o jantar do dia anterior com a esposa... ou da ceia com a amante. Para ela, não importava. Esperava fora do hospital até que algum médico fizesse o favor de dar a alta ao seu chefe e eles pudessem sair dali. Hospitais não deveriam significar nada... se ela jamais tivesse estado em um relacionamento com um aprendiz de neurologista. "Embora ele já deva ser especialista", pensava ela com irritação, olhando para a fachada ofuscante do prédio branco.
- Afinal seu salto quebrou e você torceu o pé?
Ela se virou lentamente para trás, enquanto ele sorria, com o olhar iluminado e segurando um copo fumegante de café. Ele se sentou ao lado dela, não muito próximo que pudesse assustá-la, mas nem tão longe que parecessem desconhecidos.
- Vim trazer meu chefe.
- Ele também gosta de sapatos de salto?
Ela riu baixinho, esticando as pernas para frente e analisando o sapato excessivamente branco que usava. Ele também olhou, tomando um gole do café e então comparando a manga do jaleco que usava com a cor do tecido que recobria o sapato.
- Assim parece que meu jaleco é amarelo.
- Afinal qual é o problema com meus sapatos de salto?
- É que eles te deixam diferente. Não parece mais a mesma garota do All Star rosa que eu conheci. Parece que você quer alcançar o mundo desse jeito.
- Se fosse possível, eu faria isso.
A voz dela era quase um sussurro. De repente ela parecia uma menina frágil com um corpo elegante de mulher. Ele sentiu vontade de esticar as mãos para as dela, tão perto. Porém nesse momento ela se levantou, acenando para um homem grisalho de terno que saia do hospital.
- Meu chefe...
- Estou trabalhando aqui. Se quiser me encontrar, sabe onde procurar.
Ele falou rápido, quase com medo da reação dela. Porém ela só sorriu, esticando um cartão elegante de onde estava trabalhando. Os dois sorriram levemente, e ela foi se afastando devagar. Só quando estavam longe o suficiente para ela não ouvir, ele murmurou:
- Tchau, Sofia.
____...
(IN)UTILIDADE
A maioria dos vícios não servem para nada (com exceção do vício pelo meu namorado e por uma certa série de livros), mas nesse eu ainda consigo achar uma utilidade quase prática. Entro no Orkut todos os dias, pelo menos para ver que ninguém mais me manda scraps (é triste mas é verdade). Então olho para quem está online, e quando vejo já estou na página de alguém que nem conheço, só pra saber das fofocas mais recentes. Admito que é um ato desprezível... mas partindo do princípio que só estou fuçando e não espalhando as notícias por aí em cartazes (e pior que descubro cada coisa durante essas viagens por scraps e depoimentos), tais descobertas são uma simples forma de informação e, posso dizer, de estudo do comportamento humano. Como futura psicóloga, isso é importante¹.
Curioso é que todos falam que privacidade é importante, e que quem gasta tempo procurando novidades na vida dos outros é porque não tem o que fazer. Discordo totalmente. Não que acrescente algo em minha vida, literalmente. Porém já descobri muitas coisas importantes (não culturalmente falando, claro, mas de pessoas que mentem ou ocultam alguma coisa. É tão fácil descobrir que a verdade!). E sobre a privacidade: internet é um meio natural de exposição. Se quer privacidade, não faça fotolog, blog, twitter ou qualquer outra ferramenta de exposição pública. Em relação ao Orkut, é só bloquear tudo, e pronto. Besteira, para não dizer hipocrisia, é dizer que quem fuça não tem o que fazer, mas em compensação expõe toda a vida sem pestanejar.
Em relação ao que eu exponho, sei que não é nada demais. Minha vida não tem nada extraordinário, portanto quem quiser fuçar, fique a vontade. Porém não sou boba, e meus scraps estão bloqueados. Achou que ia ser tão fácil? :D
- Pauta para o TDB.
¹ Nada como culpar meu futuro curso universitário.
Twilight saga, leia-se, vício. Estou sonhando com o Edward toda noite. Possivelmente porque a última coisa que eu leio antes de dormir é um pedaço (bem grandão) do New Moon. <3
PEQUENA HISTÓRIA
Era uma vez uma garota. Embora fosse madura, gostasse de histórias policiais e tivesse alguns amigos, ela se sentia sozinha. Depois de 17 anos vendo todas as outras garotas terem uma listinha amorosa, decidiu que era hora de tentar. Tentou uma vez, errou. Enquanto procurava alguma outra chance, conheceu um certo garoto, quatro anos mais velha que ela. E, mesmo que algo dissesse para ela, no fundo, que aquela não era só uma tentativa e sim uma certeza, ela preferiu deixar um mês passar. Porém, depois de um comentário que acabou derrubando as defesas dela, finalmente tiveram sua oportunidade, em um dia de chuva. Dois dias depois, outra chuva, outro sonho; e, juntos, aprenderam como conviver com uma aliança e com tudo que isso implica. Passaram pela época de aprender a desviar de postes de mãos dadas, pelos bancos da praça, por crises na família, no trabalho, nos estudos, dos shoppings e dos dias chuvosos. Dia 12 de junho, três meses, o primeiro dia dos namorados; e as rosas de manhã, o sapatinho vermelho, e o começo de uma nova fase, totalmente diferente. Embora muito do que eram antes continuou igual, a intimidade fortaleceu o laço. Sem mais bancos, sem mais praças, o namoro mudou, do melhor modo possível. E entre sofás, Tobby, Rock Gol, pizzas, sábados e domingos, estamos vivendo o melhor momento desde que nos conhecemos. Feliz cinco meses (dois dias adiantado), baby. <3

[edit] Fiz um novo layout, mas estou com preguiça de montar o código. :B E vou responder todos os comentários atrasados, juro! [/edit]